- A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou oficialmente que o líquido escuro encontrado em um sítio no interior do Ceará é petróleo cru. A descoberta inusitada começou em novembro de 2024, quando o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em Tabuleiro do Norte em busca de água para sua propriedade e se surpreendeu ao encontrar um material viscoso e com forte odor característico de combustível fóssil.
- Segundo a ANP, a confirmação ocorreu após análises físico‑químicas realizadas pelo laboratório da agência. O relatório técnico foi enviado ao proprietário da terra e também à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semace), que agora poderá acompanhar eventuais questões ambientais no local.
- A agência reguladora abriu um processo administrativo para avaliar o potencial geológico da área e verificar se existe viabilidade econômica para exploração comercial da jazida. No entanto, não há prazo para a conclusão desses estudos e nem garantia de que o petróleo encontrado será, de fato, explorado ou transformado em campo produtor.
- O achado chamou atenção dos técnicos da ANP pela profundidade relativamente rasa em que a substância surgiu, cerca de 40 metros abaixo da superfície, algo considerado incomum para depósitos de petróleo, que normalmente estão muito mais profundos. Investigadores também apontam semelhança com hidrocarbonetos extraídos na Bacia Potiguar, região conhecida por suas reservas entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.
- Apesar de o petróleo ter sido encontrado em uma propriedade privada, a legislação brasileira determina que os recursos minerais e o subsolo pertencem à União. Por isso, o proprietário não pode comercializar o petróleo por conta própria.
- Por outro lado, caso a área seja confirmada como economicamente explorável e entre em produção, a legislação prevê que o dono do terreno possa receber uma participação financeira, que varia de 0,5% a 1% do valor da produção — além de eventuais compensações caso sua terra seja utilizada para instalação de infraestrutura petrolífera.
- As próximas etapas envolvem uma série de análises técnicas complexas, incluindo estudos geológicos, estimativa de volume de óleo presente, custo de extração e impactos ambientais. Somente após esses procedimentos é que poderá haver a inclusão da área em possíveis leilões da ANP para exploração, processo que pode levar anos para ser concluído, dependendo dos resultados e da atratividade econômica.
- Enquanto isso, a família do agricultor, que inicialmente buscava apenas água para consumo, espera que a confirmação da presença de petróleo possa, no futuro, representar uma oportunidade econômica ou compensatória, embora reconheça que o processo até a exploração efetiva é longo e incerto.