29 de setembro de 2026
Agro brasileiro avança na redução de carbono e estudo aponta queda de até 32% nas emissões do algodão
Publicado em 28 de setembro de 2026 - 10h30

A agricultura brasileira avança na busca por uma produção com menor impacto ambiental. Uma parceria entre a Bayer e a Embrapa permitiu medir, pela primeira vez, a pegada de carbono do algodão nacional a partir de dados coletados diretamente nas propriedades rurais. O estudo, divulgado em novembro de 2024, analisou aproximadamente 77 mil hectares em Mato Grosso e identificou potencial para reduzir em até 32% as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção da fibra.

O levantamento utilizou a ferramenta Footprint PRO Carbono, desenvolvida pelas duas instituições para calcular as emissões agrícolas considerando as características do sistema produtivo brasileiro. Nas propriedades avaliadas, a pegada média foi de 329 quilos de dióxido de carbono equivalente por tonelada de pluma de algodão. A possibilidade de redução foi identificada a partir do desempenho de áreas que apresentaram resultados ambientais mais eficientes.

A iniciativa também envolve a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O objetivo é estabelecer uma referência nacional para as emissões da cotonicultura, considerando as diferenças entre as regiões produtoras e os impactos ambientais de produtos derivados, como óleo e biodiesel. Além de Mato Grosso, a cooperação prevê a inclusão de agricultores da Bahia e de Goiás.

Os resultados também abriram caminho para ampliar o monitoramento da soja. Em Santa Catarina, a Cooperalfa firmou parceria com a Bayer para iniciar a mensuração da pegada de carbono em aproximadamente cinco mil hectares. Dados anteriores da ferramenta, referentes à safra 2023/2024, apontaram uma média de 643 quilos de CO₂ equivalente por tonelada de soja, abaixo da referência internacional de 1.526 quilos. Segundo as instituições, melhorias nas práticas agrícolas podem reduzir esse índice para 383 quilos por tonelada.

Outro avanço apresentado durante o Carbon Science Talks, realizado em Campinas (SP), foi o Modelo Preditivo PRO Carbono, desenvolvido pela Bayer em parceria com a Embrapa Agricultura Digital. A tecnologia simula o comportamento do carbono no solo, levando em consideração as características climáticas, os diferentes cultivos e as práticas de manejo adotadas pelos agricultores.

A proposta é diminuir a necessidade de análises laboratoriais, reduzir os custos de monitoramento e facilitar a expansão de projetos de remoção de carbono na agricultura tropical. Com informações mais precisas, produtores poderão identificar oportunidades para melhorar o manejo e acompanhar os resultados ambientais de suas propriedades.

A parceria continuou avançando nos anos seguintes. Em março de 2026, a Cooperalfa e a Bayer reuniram agricultores em Chapecó, Santa Catarina, para apresentar o projeto da plataforma PRO Carbono e ampliar a participação dos associados. A iniciativa busca combinar produtividade, uso eficiente de insumos, conservação do solo e redução das emissões de gases de efeito estufa.

Com o desenvolvimento dessas tecnologias, a expectativa das instituições é ampliar a rastreabilidade da produção agrícola e oferecer informações que permitam comprovar os resultados ambientais das lavouras. O desafio agora é levar as ferramentas a mais propriedades, tornando a mensuração de carbono acessível e economicamente viável para produtores de diferentes regiões do país.

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