- Demanda cresceu 4% durante a onda de calor e atingiu o pico no domingo; uso intenso de ar-condicionado pode pesar na conta de luz.
A onda de calor que atinge Mato Grosso do Sul provocou um aumento de 4% na demanda de energia elétrica durante o último fim de semana, em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo a Energisa, o pico foi registrado no domingo (27), às 19h, quando o consumo de potência chegou a 1.374 megawatts (MW). O crescimento ocorreu em meio às temperaturas extremas, com sensação térmica de até 48°C em Corumbá e 44°C em Campo Grande. - O Estado está sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que indica grande perigo devido à onda de calor. No domingo, algumas regiões registraram temperaturas entre 38°C e 44°C, enquanto a umidade relativa do ar variou de 15% a 30%, agravando o desconforto térmico e aumentando a necessidade de aparelhos de climatização.
- O aumento de 4% na demanda de energia representa uma potência adicional suficiente para abastecer uma cidade do porte de Corumbá, a quarta maior de Mato Grosso do Sul, localizada a aproximadamente 419 quilômetros de Campo Grande.
- De acordo com o coordenador comercial da Energisa, Jonas Ortiz, o comportamento dos consumidores mudou nos últimos anos. Com mais aparelhos de ar-condicionado instalados nas residências, o período noturno passou a concentrar uma parcela maior da demanda elétrica, especialmente depois que os moradores retornam para casa.
- O coordenador explica que uma residência que antes utilizava apenas um aparelho de ar-condicionado e passa a funcionar com três exige maior capacidade da rede elétrica. Por isso, recomenda que os consumidores solicitem à concessionária uma avaliação de aumento de carga sempre que houver mudanças significativas no padrão de consumo.
- Além da quantidade de equipamentos ligados, as próprias temperaturas elevadas fazem os aparelhos trabalharem por mais tempo. Quando o ambiente externo está muito quente, o ar-condicionado precisa consumir mais energia para manter a temperatura programada. O mesmo acontece com geladeiras e freezers, que precisam de maior esforço para conservar os alimentos.
- Isso significa que a conta de luz pode aumentar mesmo quando a família mantém os mesmos hábitos de consumo. Um aparelho programado para 22°C, por exemplo, exige mais energia quando a temperatura externa chega a 36°C do que quando está em 26°C.
- A situação também preocupa os meteorologistas. Segundo o Inmet, a primeira onda de calor da primavera deve continuar até quarta-feira (30), com temperaturas até 5°C acima da média histórica em diversas regiões do país. Em Mato Grosso do Sul, algumas cidades podem ultrapassar os 40°C, especialmente nas regiões do Pantanal e do leste do Estado.
- A previsão indica que uma frente fria deve avançar pelo Centro-Sul do Brasil a partir de quarta-feira, favorecendo a redução das temperaturas em parte de Mato Grosso do Sul. Até lá, o calor intenso deve continuar exigindo maior utilização de equipamentos de refrigeração.
- Para evitar desperdícios e reduzir os gastos com eletricidade, a Energisa recomenda manter o ar-condicionado preferencialmente em 23°C, limpar os filtros regularmente e deixar portas e janelas fechadas durante o funcionamento. Também é importante verificar se a potência do equipamento é adequada ao tamanho do ambiente.
- No caso dos ventiladores, a orientação é desligá-los quando não houver pessoas no cômodo, já que os aparelhos movimentam o ar, mas não reduzem a temperatura do ambiente. Geladeiras e freezers devem permanecer afastados de fontes de calor, com as borrachas de vedação em boas condições e sem abertura frequente das portas.
- Outra medida é aproveitar a iluminação natural durante o dia e substituir lâmpadas convencionais por modelos de LED, que apresentam menor consumo de energia.
- Com as temperaturas elevadas e a previsão de continuidade da onda de calor, a recomendação é utilizar os aparelhos de climatização de maneira eficiente, evitando desperdícios e gastos adicionais na conta de luz.