- A carne bovina brasileira que exceder a cota anual estabelecida pela China passou a estar sujeita a uma tarifa total de 67%, após o Brasil atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026. A cobrança corresponde à tarifa regular de 12% somada à sobretaxa de 55% prevista pelo mecanismo de salvaguarda chinês.
- Há uma correção importante de data em relação ao texto original: o Ministério do Comércio da China informou que o Brasil atingiu 100% da cota em 29 de setembro e que a sobretaxa adicional de 55% passou a valer a partir de 1º de outubro, à 0h, para as importações que ultrapassarem o limite. Portanto, nesta sexta-feira (2), a nova cobrança já está em vigor.
- A cota brasileira para 2026 foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse volume, permanece a tarifa de importação de 12%. Depois do esgotamento do limite, os embarques excedentes ficam sujeitos aos 55% adicionais, elevando a carga tarifária para 67%. A medida faz parte de uma salvaguarda adotada pela China para controlar o volume de carne bovina importada e proteger o mercado doméstico.
- Para 2027, o limite destinado ao Brasil sobe para 1,128 milhão de toneladas. Representantes do setor, porém, avaliam que o novo volume poderá ser consumido rapidamente, possivelmente já entre março e abril do próximo ano. Diante desse cenário, frigoríficos estudam estratégias para antecipar abates e embarques e aproveitar o espaço disponível dentro da cota.
- A mudança preocupa especialmente porque a China é o principal destino da carne bovina brasileira. Dados do setor mostram que o país asiático ganhou peso nas exportações brasileiras ao longo dos últimos anos, aumentando a exposição de frigoríficos e pecuaristas às mudanças nas regras de acesso ao mercado chinês. A própria Abiec e a CNA já haviam alertado, desde o anúncio da salvaguarda, para a necessidade de reorganização dos fluxos de produção e exportação.
- O impacto da medida, no entanto, não significa que a China tenha proibido a entrada da carne brasileira. As exportações continuam permitidas, mas os volumes que ultrapassarem a cota ficam sujeitos à tarifa adicional, o que pode reduzir a competitividade do produto e alterar as estratégias comerciais das empresas.
- O governo brasileiro acompanha o assunto e mantém negociações com as autoridades chinesas. Entre as alternativas discutidas está a possibilidade de utilização de cotas não utilizadas por outros países, embora essa possibilidade ainda dependa de autorização chinesa.
- A situação coloca o setor diante de um novo cenário para 2027: mesmo com o aumento da cota, a velocidade com que o limite poderá ser alcançado deve continuar sendo uma preocupação para exportadores brasileiros.
China passa a cobrar tarifa de 67% sobre carne bovina brasileira após fim da cota
Publicado em 02 de outubro de 2026 - 11h16