3 de outubro de 2026
DDG, soja e sorgo ganham espaço na ração bovina e podem fortalecer competitividade da carne brasileira
Publicado em 14 de setembro de 2026 - 07h49
  1. A alimentação do gado brasileiro deve passar por uma transformação nos próximos anos com o aumento da oferta de DDG, farelo de soja e sorgo como alternativas para a composição da ração bovina. Segundo estudo do RaboResearch, área de análises do Rabobank voltada ao agronegócio e ao mercado de alimentos, a diversificação dos ingredientes pode reduzir a dependência dos produtores em relação às oscilações de preços e melhorar a competitividade da pecuária nacional.
  2. A mudança está relacionada principalmente ao avanço dos biocombustíveis e ao crescimento do processamento de grãos no país. No confinamento bovino, a alimentação representa entre 70% e 80% dos custos operacionais, tornando a busca por ingredientes alternativos um fator estratégico para produtores e empresas do setor.
  3. Entre os principais movimentos apontados pelo estudo está o aumento da disponibilidade de farelo de soja, impulsionado pela expansão do esmagamento do grão. A estimativa é que o processamento brasileiro alcance cerca de 69 milhões de toneladas de soja, gerando aproximadamente 5 milhões de toneladas adicionais de farelo em comparação com 2025.
  4. Esse crescimento também está ligado à expansão dos biocombustíveis, especialmente após a previsão de aumento da mistura de biodiesel no diesel, conforme estabelecido pela Lei do Combustível do Futuro, que prevê a chegada da mistura a 20% até 2030.
  5. Outro ingrediente que deve ganhar relevância é o DDG (grãos secos de destilaria), coproduto gerado durante a produção de etanol de milho. O produto possui valor nutricional e pode ser utilizado na alimentação de bovinos, ampliando as opções disponíveis para formulação das dietas nos confinamentos.
  6. De acordo com o levantamento, a oferta de DDG cresceu cerca de 21% ao ano nos últimos cinco anos e pode alcançar 8 milhões de toneladas em 2031. Com maior disponibilidade, produtores poderão ajustar as formulações da ração conforme custos, oferta regional e desempenho nutricional.
  7. O sorgo também aparece como uma alternativa em crescimento. A projeção indica que a produção brasileira do cereal pode aumentar de aproximadamente 6 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 10 milhões de toneladas até 2031. O grão pode substituir parte do milho utilizado nas dietas animais, aumentando a flexibilidade da cadeia produtiva.
  8. Apesar da maior variedade de ingredientes, especialistas alertam que a diversificação não significa necessariamente redução imediata no preço da ração. Os custos continuam influenciados por fatores como transporte, disponibilidade regional, demanda interna, exportações e comportamento do mercado internacional de grãos.
  9. Para a pecuária brasileira, o avanço desses ingredientes representa uma oportunidade de melhorar a gestão dos custos de produção. O Brasil é responsável por cerca de 15% da produção mundial de carne bovina e responde por mais de 22% das exportações globais, cenário em que a eficiência alimentar será cada vez mais importante para manter a competitividade do setor.
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