19 de agosto de 2026
Dívida Pública Federal ultrapassa R$ 9 trilhões com aumento de títulos ligados à Selic
Publicado em 30 de julho de 2026 - 15h20
  1. A Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou R$ 9 trilhões em junho, após o aumento das emissões de títulos públicos vinculados à Taxa Selic, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29). O estoque da dívida passou de R$ 8,798 trilhões em maio para R$ 9,033 trilhões no mês passado, uma alta de 2,66%.
  2. Apesar do crescimento, o valor permanece dentro das projeções oficiais. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado em janeiro, a expectativa é que a dívida pública encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
  3. A maior parte da alta veio da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), formada por títulos emitidos pelo governo no mercado nacional. O estoque passou de R$ 8,962 trilhões em maio para R$ 8,921 trilhões em junho, com aumento influenciado principalmente pela emissão de papéis ligados à Selic.
  4. Durante o mês, o Tesouro Nacional emitiu R$ 143,35 bilhões a mais em títulos do que realizou resgates. Além disso, houve a incorporação de R$ 85,16 bilhões em juros ao estoque da dívida.
  5. A chamada apropriação de juros ocorre quando o governo reconhece a correção acumulada dos títulos públicos e incorpora esse valor ao total da dívida. Com a Selic em 14,25% ao ano, os juros elevados contribuem para pressionar o crescimento do endividamento.
  6. No período, o Tesouro emitiu R$ 149,49 bilhões em títulos da dívida interna. Desse total, R$ 102,57 bilhões estavam relacionados a papéis corrigidos pela Selic. Os resgates somaram R$ 6,14 bilhões, valor considerado baixo devido ao pequeno volume de vencimentos no mês.
  7. A dívida pública externa também apresentou crescimento em junho. O estoque passou de R$ 340,49 bilhões para R$ 347,71 bilhões, uma alta de 2,12%. O avanço foi influenciado principalmente pela valorização de 2,37% do dólar no período.
  8. A reserva financeira utilizada pelo governo para lidar com períodos de instabilidade, conhecida como colchão da dívida, também aumentou. O valor passou de R$ 1,211 trilhão em maio para R$ 1,346 trilhão em junho, atingindo o maior nível desde o início da série histórica, em 2015.
  9. Segundo o Tesouro Nacional, essa reserva cobre atualmente cerca de 8,33 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, estão previstos R$ 1,86 trilhão em vencimentos de títulos federais.
  10. A composição da dívida também apresentou mudanças no período. A participação dos títulos ligados à Selic subiu de 48,99% para 49,32% do total, enquanto os títulos corrigidos pela inflação passaram de 26,26% para 25,9%. Os papéis prefixados ficaram praticamente estáveis, passando de 21% para 21,04%, e os títulos vinculados ao câmbio recuaram levemente, de 3,75% para 3,74%.
  11. O Tesouro Nacional projeta que, ao final de 2026, a participação dos títulos ligados à Selic fique entre 46% e 50% da dívida total. Já os papéis corrigidos pela inflação devem representar entre 23% e 27%, os prefixados entre 21% e 25% e os vinculados ao câmbio entre 3% e 7%.
  12. Os títulos prefixados costumam oferecer maior previsibilidade para a administração da dívida, pois as taxas são definidas no momento da emissão. Porém, em períodos de maior incerteza no mercado, a procura por esses papéis pode diminuir devido à exigência de juros mais altos pelos investidores.
  13. Já os títulos atrelados à Selic têm atraído compradores em um cenário de juros elevados, por acompanharem a taxa básica definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
  14. O prazo médio da Dívida Pública Federal caiu de 4,07 para 4,01 anos em junho. Esse indicador mostra o tempo médio necessário para que o governo renove ou refinancie os compromissos da dívida. Prazos maiores costumam indicar maior confiança dos investidores na capacidade de pagamento do país.
  15. Entre os principais detentores da dívida interna estão as instituições financeiras, com 31,76% do estoque, seguidas pelos fundos de pensão, com 22,52%, fundos de investimento, com 22%, investidores estrangeiros, com 9,95%, e outros grupos, que somam 13,77%.
  16. A participação dos investidores estrangeiros caiu em junho, passando de 10,14% em maio para 9,95%, em meio ao aumento das incertezas no mercado financeiro internacional.
  17. A dívida pública é uma ferramenta utilizada pelo governo para captar recursos junto a investidores e financiar compromissos financeiros. Em troca, o governo se compromete a devolver os valores em determinado prazo, com correção baseada em indicadores como Selic, inflação, câmbio ou taxas definidas previamente.
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