5 de julho de 2026
Economia brasileira resiste a juros altos e cresce 0,1% em abril, aponta FGV
Publicado em 18 de junho de 2026 - 13h18
  1. A economia brasileira apresentou leve crescimento em abril, mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados e pressão no preço internacional do petróleo. Segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a atividade econômica avançou 0,1% na passagem de março para abril, considerando a série com ajuste sazonal.
  2. Na comparação com abril de 2025, o crescimento foi de 1,8%. O mesmo percentual foi registrado no trimestre móvel encerrado em abril, que considera os meses de fevereiro, março e abril. No acumulado de 12 meses, a expansão da economia brasileira chegou a 2,0%.
  3. O Monitor do PIB reúne informações de setores como indústria, comércio, serviços e agropecuária para estimar o comportamento da economia. O levantamento funciona como uma prévia da atividade econômica, enquanto o resultado oficial do Produto Interno Bruto é divulgado trimestralmente pelo IBGE.
  4. De acordo com a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o desempenho de abril indica estabilidade, mas também mostra capacidade de resistência da economia. Segundo a FGV, indústria, serviços e a maior parte dos componentes da demanda tiveram resultado positivo no mês. Por outro lado, agropecuária e consumo do governo registraram retração.
  5. O cenário econômico, no entanto, segue desafiador. A taxa básica de juros permanece em patamar elevado, o que tende a encarecer o crédito e reduzir o ritmo de consumo e investimento. Na quarta-feira (17), o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, em mais uma decisão marcada por cautela diante das pressões inflacionárias.
  6. Outro ponto de atenção é o preço do petróleo, afetado pela instabilidade no Oriente Médio. A alta da commodity pode pressionar combustíveis e fretes, com reflexos sobre a inflação e sobre o custo de produção em vários setores.
  7. Entre os componentes analisados pela FGV, o consumo das famílias cresceu 2,6% no trimestre móvel encerrado em abril, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi puxado principalmente pelo consumo de serviços e atingiu o maior patamar desde o trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2025.
  8. As exportações também tiveram desempenho positivo, com avanço de 9,3% no trimestre móvel. Parte importante desse resultado veio da indústria extrativa, que cresceu 27,8% no período. Já a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede investimentos em máquinas, equipamentos e construção, avançou 0,7%, interrompendo uma sequência de quatro trimestres móveis de queda.
  9. Segundo a FGV, a taxa de investimento da economia em abril foi estimada em 18%. Em valores correntes, o PIB acumulado no ano até abril chegou a R$ 4,376 trilhões.
  10. Além do Monitor do PIB, outro indicador recente também apontou avanço da atividade econômica. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, conhecido como IBC-Br, registrou crescimento de 0,5% na passagem de março para abril e alta de 1,6% em 12 meses.
  11. O resultado oficial do PIB brasileiro é calculado pelo IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1%. A próxima divulgação está prevista para 1º de setembro, com os dados do segundo trimestre.
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