19 de agosto de 2026
Embrapa identifica 27 novos registros de abelhas nativas em lavouras de soja no Cerrado
Publicado em 10 de agosto de 2026 - 08h23
  1. Uma pesquisa conduzida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia ampliou o conhecimento sobre os polinizadores encontrados em áreas produtoras de soja no Brasil. O trabalho identificou 27 novos registros de abelhas nativas associados à cultura em propriedades do sudoeste de Goiás, reforçando a importância da vegetação do Cerrado e de práticas agrícolas que favoreçam a biodiversidade nas lavouras.
  2. O levantamento foi realizado durante a safra 2023/2024 em sete fazendas da região. Ao longo de 30 saídas de campo, pesquisadores coletaram 11.199 insetos, dos quais 764 eram abelhas. Após a identificação do material, foram reconhecidas 53 espécies distribuídas em 27 gêneros e cinco famílias: Apidae, Andrenidae, Megachilidae, Colletidae e Halictidae.
  3. A maior parte dos exemplares encontrados pertence à fauna brasileira. Segundo os dados consolidados pela Embrapa, 89% das abelhas coletadas eram nativas, enquanto 11% correspondiam à Apis mellifera, espécie exótica amplamente presente no País. O resultado chama atenção para a diversidade de polinizadores silvestres que utiliza tanto as lavouras quanto os remanescentes de vegetação existentes no entorno das propriedades.
  4. Os 27 registros anunciados pela Embrapa não significam a descoberta de 27 espécies desconhecidas pela ciência. O avanço está no registro de abelhas nativas associadas à cultura da soja, ampliando o conhecimento sobre quais espécies frequentam esse ambiente agrícola. A identificação taxonômica contou também com a colaboração da pesquisadora Favízia Freitas de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
  5. Os resultados fazem parte das pesquisas do Regenera Cerrado, iniciativa que acompanha propriedades rurais no sudoeste goiano e compara diferentes práticas de manejo. Entre os aspectos analisados estão biodiversidade, uso de bioinsumos, saúde do solo, produtividade e conservação da vegetação nativa. O projeto reúne Embrapa, Instituto BioSistêmico, universidades e outras instituições, com patrocínio da Cargill.
  6. Um dos pontos observados é a relação entre a proximidade da vegetação nativa e a presença de polinizadores. Segundo os pesquisadores, áreas próximas a manchas de mata apresentam, em determinados locais avaliados, maior abundância e diversidade de abelhas. Esses remanescentes oferecem recursos importantes aos insetos, como locais de abrigo e fontes de alimento fora do período de floração da soja.
  7. Dados divulgados pela Cargill sobre o Regenera Cerrado indicam que áreas regenerativas próximas à vegetação nativa registraram aumento médio de 7% no peso dos grãos. O resultado é tratado como uma evidência dos benefícios associados às práticas regenerativas e à manutenção da vegetação, e não como prova de que apenas a presença das abelhas seja responsável, isoladamente, por todo esse ganho.
  8. Embora a soja seja uma cultura predominantemente autopolinizada, pesquisas anteriores da própria Embrapa já demonstraram que a visitação de abelhas pode favorecer a formação das vagens e dos grãos. A instituição informa que estudos com polinização suplementar já registraram ganhos de produtividade da soja, mostrando que a convivência entre produção agrícola e polinizadores pode trazer benefícios ao agricultor.
  9. A forma de manejo da lavoura também entrou no radar dos pesquisadores. Resultados preliminares do Regenera Cerrado apontaram impacto negativo de fungicidas classificados em níveis mais elevados de periculosidade sobre a diversidade das comunidades de abelhas. Em sentido contrário, propriedades com maior adoção de produtos biológicos e redução de químicos apresentaram comunidades de insetos mais diversificadas.
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