- O agronegócio brasileiro chega ao segundo turno das eleições presidenciais de 2026 pressionando por soluções para problemas que afetam diretamente a produção, como o endividamento rural, o custo do crédito, a falta de seguro diante de eventos climáticos, a dependência de insumos importados, gargalos de infraestrutura e a percepção negativa sobre o setor. Com Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificados para a segunda etapa, marcada para 25 de outubro, as demandas do campo voltam ao centro do debate econômico.
- Entre as principais preocupações está a situação financeira dos produtores. O aumento dos custos de produção, os juros elevados e os eventos climáticos adversos contribuíram para ampliar a pressão sobre o caixa de propriedades rurais. A renegociação das dívidas também continua sendo um dos assuntos mais cobrados pelo setor. Em outubro, o governo federal discutia alterações nas regras criadas para facilitar a renegociação de passivos rurais, enquanto instituições financeiras relatavam dificuldades na aplicação das medidas.
- O problema do crédito ganhou ainda mais importância porque o acesso a novos financiamentos pode ficar limitado para produtores que já possuem dívidas. Em junho, durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027, representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticaram as condições anunciadas e afirmaram que o programa não resolvia integralmente as dificuldades enfrentadas pelo setor.
- Pelo lado do governo, o Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, destinados a custeio, comercialização e investimentos. O Ministério da Agricultura afirma que o programa ampliou o acesso ao crédito e fortaleceu linhas voltadas à modernização, armazenagem, irrigação, inovação e sustentabilidade.
- Mesmo com os recursos previstos, o setor cobra medidas de longo prazo. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) apresentou cinco propostas para o próximo governo, envolvendo financiamento e seguro rural, produção nacional de insumos, infraestrutura, comunicação sobre o agro e abertura de mercados internacionais. A entidade defende, entre outras medidas, mecanismos mais estáveis de financiamento e a criação de um fundo nacional voltado a catástrofes climáticas.
- O seguro rural aparece como outro ponto de atenção. Para produtores, a proteção contra secas, excesso de chuvas, geadas e outros eventos extremos é considerada fundamental para reduzir o risco financeiro da atividade. A discussão ganhou força justamente em um período de maior ocorrência de eventos climáticos capazes de comprometer lavouras e aumentar o endividamento.
- A infraestrutura também está entre as demandas. Estradas, ferrovias, portos, armazenagem e logística interferem diretamente no custo para transportar a produção e acessar mercados. O próprio Plano Safra prevê linhas para ampliar e modernizar estruturas de armazenagem e outros investimentos no campo.
- Outro desafio apontado pelas entidades é a dependência brasileira de insumos importados, especialmente fertilizantes. A preocupação está relacionada tanto ao preço desses produtos quanto à vulnerabilidade da produção nacional diante de crises internacionais e alterações no comércio global.
- Além das questões econômicas, o setor também busca melhorar sua comunicação com a sociedade. A Abag incluiu a imagem do agronegócio entre os temas prioritários para o próximo governo, em meio ao debate sobre sustentabilidade, preservação ambiental e produção de alimentos. A intenção é ampliar a compreensão sobre a importância econômica do setor e, ao mesmo tempo, responder às críticas relacionadas aos impactos ambientais da atividade.
- O cenário coloca uma agenda extensa diante do próximo presidente. Independentemente de quem vencer o segundo turno, produtores e entidades do agronegócio deverão cobrar medidas relacionadas a crédito, renegociação de dívidas, seguro rural, infraestrutura, insumos, sustentabilidade e abertura de mercados.
- A disputa presidencial será decidida em 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Flávio Bolsonaro e Lula. Até lá, as propostas dos dois candidatos para o setor devem ganhar ainda mais espaço no debate eleitoral.