5 de julho de 2026
Entenda o que são carros CKD, SKD e CBU e por que eles entraram no centro da disputa por impostos no Brasil
Publicado em 24 de junho de 2026 - 14h03
  1. A discussão sobre os carros importados em formatos CKD, SKD e CBU voltou ao centro do setor automotivo brasileiro após novas decisões envolvendo impostos para veículos elétricos e híbridos. Embora os termos pareçam técnicos, eles indicam basicamente o quanto de um carro chega pronto ao país e quanto ainda precisa ser montado localmente.
  2. O modelo CBU é o veículo importado completamente pronto. Ou seja, o carro já chega ao Brasil montado, acabado e praticamente preparado para ser vendido. Já o SKD significa que o veículo vem semidesmontado, com grandes conjuntos prontos, exigindo apenas parte da montagem final. O CKD, por sua vez, representa um estágio mais profundo de desmontagem: o carro chega em kits de peças e componentes, demandando uma operação industrial maior no país antes de ir às concessionárias. Esses conceitos são usados na logística automotiva internacional para diferenciar carros prontos, semidesmontados e desmontados.
  3. Na prática, quanto mais desmontado o veículo chega, maior tende a ser a participação da indústria local na montagem. Por isso, regimes como CKD e SKD costumam ser defendidos por fabricantes como uma etapa de transição para produção nacional, principalmente quando uma montadora ainda está estruturando fábrica, fornecedores e linhas industriais no Brasil.
  4. A polêmica ganhou força porque veículos eletrificados importados nesses regimes receberam cotas com imposto de importação zero. Em 2025, o Gecex-Camex antecipou para janeiro de 2027 a retomada da tarifa de 35% para veículos eletrificados desmontados, que antes estava prevista para julho de 2028. Ao mesmo tempo, o governo autorizou cotas adicionais de importação sem imposto para CKD e SKD pelo prazo de seis meses, no valor total de US$ 463 milhões.
  5. Em junho de 2026, o tema voltou a gerar reação no setor após nova rodada de cotas para importação com imposto zero de kits CKD e SKD de híbridos e elétricos. A medida mantém o cronograma de recomposição: os kits SKD passam a 35% em julho, enquanto os CKD permanecem com tarifa de 14% até o fim de 2026 e sobem para 35% em janeiro de 2027. Veículos eletrificados importados já montados, no formato CBU, ficam sem cotas e voltam à alíquota de 35% a partir de 1º de julho.
  6. A decisão divide opiniões. De um lado, fabricantes que utilizam kits importados defendem que o mecanismo ajuda na fase inicial de implantação industrial, reduz custos e permite acelerar a chegada de modelos eletrificados ao mercado brasileiro. De outro, montadoras já instaladas no país argumentam que benefícios prolongados podem desequilibrar a concorrência e reduzir a previsibilidade para investimentos locais.
  7. Para o consumidor, o impacto pode aparecer no preço final dos veículos. Carros trazidos prontos, como CBU, tendem a sofrer mais diretamente com alíquotas cheias de importação. Já os modelos CKD e SKD podem ter algum alívio temporário quando entram dentro das cotas autorizadas, mas esse benefício tem prazo e limite definidos.
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