21 de maio de 2026
Evento internacional expõe limite do trânsito em Campo Grande e revolta fãs.
Publicado em 10 de abril de 2026 - 08h27

Entre os relatos, o casal Miriam e Ali Barakat decidiu abandonar o carro para não chegar no fim do show. “Abandonamos o carro na avenida e viemos a pé. Foram 13 quilômetros. Era isso ou nada”, contou ele. “Tinha gente descendo do busão e pegando a estrada”, completou Miriam.

O engarrafamento ultrapassou 14 quilômetros e, em alguns momentos, simplesmente não andava. A equipe do Campo Grande News acompanhou o trajeto e levou 1h20 para percorrer apenas 100 metros na João Arinos. "Das 17h às 20h andamos 2,5 km e ainda faltavam 5,5 km. Não dá para fazer evento nesse local”, relatou Sílvio Panage.

O congestionamento começava ainda na região urbana, na Rua Joaquim Murtinho, na altura da Escola Estadual Hércules Maymone, e se estendia até o autódromo.
Funil no viaduto travou avenida

Um dos principais trechos de colapso ocorreu no viaduto que conecta a Avenida João Arinos à BR-163 e dá acesso à BR-262. No local, a estratégia de controle de fluxo não evitou a formação de um funil com grande concentração de veículos.

Outro fator que agravou o cenário foi a presença de veículos pesados. Mesmo com restrição de caminhões na BR-262, válida até as 22h entre os quilômetros 233 e 328, carretas continuaram circulando normalmente no trecho.
As alças de acesso permaneceram abertas e veículos vindos da BR-163, incluindo carretas, foram liberados para entrar na João Arinos, enquanto o tráfego da via principal era interrompido. Com apenas dois agentes do Detran no ponto considerado mais crítico, o controle foi insuficiente.

Veículos pesados que desciam a alça avançavam, enquanto a João Arinos ficava completamente travada, o que gerou revolta. “Nunca vi isso. O agente do Detran privilegiou os caminhões que estavam descendo e parou todos os carros que seguiam para o show, um absurdo. Nem moto anda. A gente está parado aqui há 1h15”, reclamou a universitária Beatriz Vicente, que nem ia ao evento. “Eu só queria chegar na minha casa”, disse a moradora do Jardim Noroeste.
“Devia ter interrompido ali as descidas do viaduto e colocado uma equipe na saída para Cuiabá avisando que o acesso ficaria momentaneamente fechado. Se tivessem parado por umas duas horas já estaria resolvido. Não pensaram em nada. Despreparo total. Há semanas falavam disso e não teve planejamento?”, questionou o engenheiro Ricardo Trindade.
Nas redes sociais, o tom predominante também foi de revolta. “Estamos há três horas praticamente parados no trânsito”, disse Márcio Campos. “Falta de competência”, criticou Geraldo André Filho. “Que fiasco de organização”, escreveu Vera Penzo.

Além do transtorno, houve prejuízo financeiro. Com ingressos que chegaram a R$ 600 e estacionamento antecipado de até R$ 100, parte do público temeu não conseguir chegar a tempo.

“São 35 mil pessoas, é um evento grande, a cidade precisa aprender”, comentou Karolyne Melo.
Campograndenews

Últimas Notícias
Veja Também