19 de agosto de 2026
Exportações de carne bovina caem 18% em julho, enquanto arroba segue firme no mercado
Publicado em 07 de agosto de 2026 - 13h46
  1. As exportações brasileiras de carne bovina in natura recuaram cerca de 18% em julho na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o mercado do boi gordo manteve preços firmes em boa parte do país. O cenário reúne uma menor quantidade de carne enviada ao exterior e uma oferta de animais para abate ainda controlada no mercado interno.
  2. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que o Brasil embarcou 227,9 mil toneladas de carne bovina in natura em julho, frente a 276,8 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025. A diferença representa uma retração de aproximadamente 17,7% no volume exportado.
  3. Mesmo com menos carne deixando o país, o produto brasileiro chegou ao mercado internacional com preço maior. O valor médio da tonelada passou de US$ 5.550,99 em julho do ano passado para US$ 6.350,55 neste ano, avanço de 14,4%.
  4. A desaceleração dos embarques já vinha sendo acompanhada pelo setor ao longo de julho. Entre os fatores que entraram no radar do mercado estão as restrições comerciais adotadas pela China, principal destino da carne bovina brasileira, e o avanço das exportações brasileiras sobre a cota estabelecida para 2026.
  5. No mercado físico, o levantamento da Scot Consultoria referente a quinta-feira (6) indicou estabilidade ou valorização nas 33 regiões pecuárias acompanhadas. Em 19 praças, o preço do boi gordo permaneceu sem alteração, enquanto outras 14 registraram alta.
  6. Nas regiões de Araçatuba e Barretos, em São Paulo, consideradas importantes referências nacionais para a formação dos preços, a arroba do boi gordo ficou em R$ 350 para pagamento a prazo. Também não houve mudança nas referências para o chamado “boi China”, vacas e novilhas.
  7. A oferta de animais permaneceu ajustada, mas sem caracterizar falta de gado para as indústrias. Frigoríficos que precisavam recompor suas escalas conseguiram realizar compras, enquanto empresas com programações de abate mais confortáveis tentaram negociar por valores abaixo das referências, encontrando maior resistência dos pecuaristas.
  8. As escalas de abate permaneceram próximas de uma semana em algumas das principais regiões, ajudando a limitar movimentos mais agressivos de compra por parte dos frigoríficos. A combinação entre disponibilidade controlada de animais e resistência dos produtores em negociar por preços menores tem contribuído para manter a arroba sustentada.
  9. Com isso, o mercado chega ao início de agosto diante de sinais distintos: enquanto os embarques de carne bovina perderam força na comparação anual, a valorização do produto exportado e a oferta ajustada de animais continuam dando suporte às cotações do boi gordo no país.
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