19 de agosto de 2026
Greve à vista? Caminhoneiros de MS ameaçam parar a BR-163 se MP do Frete perder validade
Publicado em 14 de julho de 2026 - 08h55
  1. Caminhoneiros autônomos de Mato Grosso do Sul podem aderir nos próximos dias à paralisação iniciada no Porto de Santos, em São Paulo. A categoria aguarda uma decisão das principais lideranças nacionais e ameaça interromper as atividades caso o Senado não vote, até quinta-feira (16), a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, que amplia a fiscalização e as punições pelo pagamento de valores abaixo do piso mínimo.
  2. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul, o Sindicam-MS, Osny Belinati, afirmou que o movimento no Estado dependerá de uma orientação nacional. Segundo ele, a entidade ainda busca uma saída negociada, mas poderá aderir à greve caso o Congresso deixe a medida perder a validade.
  3. “Enquanto tiver chance de chegar a um acordo, a greve não é necessária. Mas, se nada for feito, vamos seguir a orientação de paralisar”, declarou Belinati ao Jornal Midiamax.
  4. A MP foi publicada em 19 de março e está em regime de urgência desde maio. A Câmara dos Deputados aprovou o texto, mas a proposta continuava, na última atualização oficial consultada, aguardando leitura no Senado. O Congresso estabelece o dia 16 de julho como prazo final para a votação.
  5. A proposta obriga o registro das operações de transporte por meio do Código Identificador da Operação de Transporte, o Ciot. O sistema poderá impedir o registro de contratos com valores inferiores ao piso mínimo estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. A MP também prevê multas e suspensão do registro de empresas que reincidirem na contratação de fretes abaixo da tabela.
  6. Belinati afirma que caminhoneiros autônomos enfrentam descontos indevidos e recebem valores inferiores aos declarados nos documentos das operações. Segundo o sindicalista, contratantes descontam custos como pedágio e outros encargos do pagamento destinado ao transportador, reduzindo ainda mais a remuneração final.
  7. A mobilização ganhou força depois que caminhoneiros iniciaram uma paralisação no Porto de Santos. Em Mato Grosso do Sul, as rodovias continuavam operando normalmente, mas representantes da categoria não descartaram uma adesão. Belinati avalia que uma eventual mobilização estadual teria como principal ponto a BR-163, corredor estratégico para o transporte de cargas e o escoamento da produção.
  8. Apesar da ameaça de greve, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, afirmou que governo e oposição chegaram a um acordo para tentar votar a MP no Senado. A inclusão da proposta na pauta, porém, depende do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
  9. O entendimento prevê mudanças em pontos que provocaram resistência entre parlamentares e setores produtivos. O texto aprovado pela Câmara criou um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas empregados em viagens de longa distância. Pelo acordo anunciado por Randolfe, o piso seria mantido, mas sem um valor fixado diretamente na lei.
  10. O governo também sinalizou que poderá vetar o trecho que concede anistia aos caminhoneiros e transportadores multados por bloqueios realizados nas rodovias após as eleições de 2022. Esse dispositivo não fazia parte da proposta original enviada pelo Executivo e foi incluído durante a tramitação no Congresso.
  11. Em Mato Grosso do Sul, o setor empresarial demonstra resistência. Representantes das empresas de transporte questionam a falta de discussão sobre alguns pontos e avaliam que uma paralisação nacional pode não avançar. Entidades do setor produtivo também alegam que as novas regras podem aumentar custos, gerar insegurança jurídica e provocar reflexos nos preços das mercadorias.
  12. Para os caminhoneiros, entretanto, a aprovação representa uma forma de garantir o cumprimento de uma política que já existe desde 2018. Belinati afirma que o movimento não tem como alvo direto o governo federal, mas a demora do Senado em analisar a proposta.
  13. “Se o Alcolumbre não pautar, o Brasil vai parar”, declarou o presidente do Sindicam-MS.
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