- A paralisação iniciada nesta segunda-feira, 13 de julho, por caminhoneiros que atuam no Porto de Santos, em São Paulo, aumentou a expectativa de mobilização da categoria em Mato Grosso do Sul. O movimento tenta pressionar o Senado a votar a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, antes de quinta-feira (16), quando o texto perde a validade caso não seja aprovado.
- Apesar do apoio às reivindicações, ainda não há greve deflagrada em Mato Grosso do Sul. Caminhoneiros ouvidos em Campo Grande afirmaram que a desvalorização dos fretes, os preços do diesel e dos pedágios tornam a atividade cada vez menos rentável, principalmente para os trabalhadores autônomos.
- Caminhoneiro há mais de dez anos, Valdir Carvalho da Luz relatou que algumas viagens oferecem valores insuficientes para cobrir os custos básicos. Segundo ele, dependendo da carga e do trajeto, o profissional “não tira nem o diesel”. Em viagens para São Paulo, os gastos com pedágios podem superar R$ 3 mil.
- Embora reconheçam a necessidade de protestar, profissionais de Mato Grosso do Sul demonstram dúvidas sobre a capacidade de a paralisação avançar para outros estados.
- Com 35 anos de profissão, Claudemir Paulino avaliou que uma greve somente produzirá resultados com planejamento e adesão nacional. Para ele, “sem organização, não funciona”. O caminhoneiro citou a mobilização de 2018 como exemplo de movimento capaz de reunir trabalhadores de diferentes regiões.
- A MP do Frete reforça a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O texto torna obrigatório o registro das operações pelo Código Identificador da Operação de Transporte, o Ciot, e prevê punições mais duras para contratantes que ofereçam valores inferiores ao piso estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.
- A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em junho e encaminhou o texto ao Senado como Projeto de Lei de Conversão 6/2026. Além das regras sobre o frete mínimo, a versão aprovada pelos deputados incluiu piso salarial nacional para motoristas de longa distância e anistia relacionada a multas por bloqueios de rodovias em 2022.
- O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul, Osny Belinati, declarou que a entidade poderá aderir a uma paralisação caso a medida não seja votada dentro do prazo. Segundo ele, a perda de validade manteria os trabalhadores autônomos expostos a contratos com valores abaixo dos custos das viagens.
- Até a tarde desta segunda-feira, as operações rodoviárias seguiam normalmente em Mato Grosso do Sul. A possível ampliação da greve dependerá da evolução do movimento em outros estados e da decisão do Senado sobre a votação da MP.
Midia Max
Greve no Porto de Santos anima caminhoneiros de MS, mas categoria teme movimento sem força
Publicado em 13 de julho de 2026 - 13h40
Paralisação