19 de agosto de 2026
Greve no Porto de Santos anima caminhoneiros de MS, mas categoria teme movimento sem força
Publicado em 13 de julho de 2026 - 13h40
  1. A paralisação iniciada nesta segunda-feira, 13 de julho, por caminhoneiros que atuam no Porto de Santos, em São Paulo, aumentou a expectativa de mobilização da categoria em Mato Grosso do Sul. O movimento tenta pressionar o Senado a votar a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, antes de quinta-feira (16), quando o texto perde a validade caso não seja aprovado.
  2. Apesar do apoio às reivindicações, ainda não há greve deflagrada em Mato Grosso do Sul. Caminhoneiros ouvidos em Campo Grande afirmaram que a desvalorização dos fretes, os preços do diesel e dos pedágios tornam a atividade cada vez menos rentável, principalmente para os trabalhadores autônomos.
  3. Caminhoneiro há mais de dez anos, Valdir Carvalho da Luz relatou que algumas viagens oferecem valores insuficientes para cobrir os custos básicos. Segundo ele, dependendo da carga e do trajeto, o profissional “não tira nem o diesel”. Em viagens para São Paulo, os gastos com pedágios podem superar R$ 3 mil.
  4. Embora reconheçam a necessidade de protestar, profissionais de Mato Grosso do Sul demonstram dúvidas sobre a capacidade de a paralisação avançar para outros estados.
  5. Com 35 anos de profissão, Claudemir Paulino avaliou que uma greve somente produzirá resultados com planejamento e adesão nacional. Para ele, “sem organização, não funciona”. O caminhoneiro citou a mobilização de 2018 como exemplo de movimento capaz de reunir trabalhadores de diferentes regiões.
  6. A MP do Frete reforça a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. O texto torna obrigatório o registro das operações pelo Código Identificador da Operação de Transporte, o Ciot, e prevê punições mais duras para contratantes que ofereçam valores inferiores ao piso estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.
  7. A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em junho e encaminhou o texto ao Senado como Projeto de Lei de Conversão 6/2026. Além das regras sobre o frete mínimo, a versão aprovada pelos deputados incluiu piso salarial nacional para motoristas de longa distância e anistia relacionada a multas por bloqueios de rodovias em 2022.
  8. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul, Osny Belinati, declarou que a entidade poderá aderir a uma paralisação caso a medida não seja votada dentro do prazo. Segundo ele, a perda de validade manteria os trabalhadores autônomos expostos a contratos com valores abaixo dos custos das viagens.
  9. Até a tarde desta segunda-feira, as operações rodoviárias seguiam normalmente em Mato Grosso do Sul. A possível ampliação da greve dependerá da evolução do movimento em outros estados e da decisão do Senado sobre a votação da MP.

    Midia Max 
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