- A importação de ureia pelo Brasil registrou o menor volume dos últimos dez anos no acumulado de janeiro a maio de 2026, segundo levantamento do Rabobank. No período, entraram no país cerca de 1,5 milhão de toneladas do fertilizante nitrogenado, volume considerado baixo para os padrões recentes do mercado brasileiro.
- Somente em maio, o Brasil importou aproximadamente 116 mil toneladas de ureia, uma queda de 64% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. A retração reflete um cenário de menor demanda interna por fertilizantes e de instabilidade no mercado internacional, especialmente diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a cadeia global de insumos.
- A ureia é um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura brasileira, principalmente por fornecer nitrogênio, nutriente essencial para o desenvolvimento das lavouras. Por isso, a redução nas compras externas chama atenção do setor produtivo, que depende fortemente de fertilizantes importados para manter a produtividade no campo.
- Apesar da queda na ureia, o comportamento não foi igual para todos os insumos. As importações de fertilizantes fosfatados cresceram 3% no mesmo período. Ainda assim, o Rabobank projeta redução de 8,2% nas entregas totais de fertilizantes em 2026, com volume estimado em 45,1 milhões de toneladas.
- O movimento ocorre em meio a um ambiente de maior cautela por parte dos produtores rurais. Além das incertezas externas, fatores como custo de produção, crédito mais restrito e margens apertadas influenciam o ritmo de compra de insumos para a safra.
- No mercado de grãos, porém, as projeções seguem positivas. O Rabobank estima uma safra brasileira de soja de 182 milhões de toneladas em 2026, com exportações previstas em 113 milhões de toneladas. Para o milho, a estimativa foi revisada para cima, chegando a 138 milhões de toneladas, impulsionada pelo bom desempenho da segunda safra, especialmente em Mato Grosso.
- Mesmo com a expectativa de produção elevada, o banco avalia que as exportações brasileiras de milho podem enfrentar limitações por causa da concorrência com Estados Unidos e Argentina. A oferta abundante no mercado internacional também pode pressionar os preços nos próximos meses.
O Berrante do Agro