5 de julho de 2026
Inauguração da Ponte da Rota Bioceânica pode atrasar por entraves em acessos e estrutura alfandegária
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 - 10h51

A entrega da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que liga Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai, prevista para agosto de 2026, pode não ocorrer dentro do cronograma inicial. Apesar do avanço físico da estrutura, pendências em obras complementares, falta de alfândega e ajustes regulatórios colocam a data em risco.

 

De acordo com o Governo de Mato Grosso do Sul, aproximadamente 90% da ponte já foi executada, restando cerca de 100 metros para a conclusão total da travessia. O principal entrave, no entanto, está no acesso terrestre até a BR-267, que ainda não tem prazo definitivo para ser finalizado.

 

 

Acesso rodoviário segue sem previsão concreta

 

 

No lado brasileiro, o trecho de aproximadamente 13 quilômetros que conecta a ponte à malha rodoviária está atrasado e depende de recursos federais. Segundo o secretário da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, a previsão mais realista aponta para conclusão apenas no segundo semestre de 2027.

 

Ele destaca preocupação com o fluxo de repasses da União, já que será necessária suplementação orçamentária para manter o cronograma estimado. Enquanto isso, o acesso no lado paraguaio avança sob responsabilidade do governo do país vizinho.

 

 

Alfândega e regras unificadas ainda são desafio

 

 

Outro ponto considerado crucial é a construção da estrutura alfandegária brasileira, com custo estimado em R$ 200 milhões. Sem essa etapa concluída, a operação plena da rota fica comprometida.

 

Além da obra física, será necessário harmonizar procedimentos entre Brasil e Paraguai. Segundo o secretário, se os processos alfandegários mantiverem o modelo atual, parte do ganho logístico previsto — cerca de 22 dias a menos no transporte marítimo — poderá ser perdido com retenções e burocracia.

 

A proposta é criar um sistema mais ágil para liberação de cargas, evitando longas esperas na fiscalização.

 

Em um cenário considerado otimista pelo governo estadual, os primeiros caminhões devem começar a circular pela rota em Mato Grosso do Sul dentro de aproximadamente um ano e meio, embora rodovias estaduais ainda precisem passar por adequações.

 

 

 

 

Campo Grande quer se consolidar como polo logístico

 

 

Com a conclusão da ponte, Campo Grande pretende se posicionar como centro estratégico da Rota Bioceânica, com implantação de portos secos, armazéns e centros de distribuição.

 

Para viabilizar esse novo cenário, a prefeitura iniciou mudanças legislativas com foco na atração de investimentos. Uma das alterações ocorreu no Programa de Desenvolvimento Econômico e Social (Prodes), que agora permite que empresários fiquem definitivamente com áreas cedidas pelo município após dez anos, desde que cumpram metas estabelecidas. Antes, os terrenos precisavam ser devolvidos ao poder público.

 

O economista Michel Constantino avalia que outras normas também precisam ser atualizadas, especialmente regras ambientais e de uso do solo, para acompanhar as transformações tecnológicas e os novos modelos produtivos adotados por empresas nacionais e internacionais.

 

A Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano abriu consulta pública para revisar a legislação de uso e ocupação do solo. Após essa etapa, o projeto deverá ser encaminhado à Câmara Municipal de Campo Grande.

 

O presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto (PSDB), afirmou que, caso a proposta chegue ao Legislativo, a votação pode ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. A prefeitura, por sua vez, não informou prazo para o envio oficial do texto aos parlamentares.
Fonte:94fmdourados

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