- A inflação oficial do Brasil registrou queda de 0,32% em agosto, impulsionada principalmente pelo Bônus de Itaipu, que reduziu o valor das contas de energia elétrica, e pela diminuição dos preços de alimentos e transportes. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa a menor taxa mensal desde agosto de 2022, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve retração de 0,36%.
- Com o resultado de agosto, o IPCA acumulou alta de 4,22% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados até julho. O índice também ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava uma queda de 0,23% para o mês, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.
- A principal contribuição para a deflação veio do grupo Habitação, que apresentou queda de 1,87%, puxada pelo desconto aplicado nas contas de energia elétrica por meio do Bônus de Itaipu. O benefício, distribuído aos consumidores como crédito nas faturas de luz, provocou uma redução média de 7,63% no custo da energia em agosto.
- Segundo o IBGE, essa foi a maior queda registrada pelo grupo Habitação em um mês desde o início do Plano Real, em 1994. O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, explicou que o efeito do bônus é temporário e deve ser compensado parcialmente na conta de luz de setembro, quando o desconto deixa de aparecer.
- O grupo Alimentação e bebidas, que representa cerca de 21,5% da cesta de consumo das famílias brasileiras, também contribuiu para o resultado negativo, com recuo de 0,34%. Essa foi a terceira queda consecutiva nos preços dos alimentos, após retrações registradas em junho e julho.
- Entre os produtos que tiveram as maiores reduções de preço estão a batata-inglesa, com queda de 19,89%, a cenoura (-11,22%), a cebola (-11,07%), o tomate (-10,94%), o ovo de galinha (-4,15%) e o café moído (-1,86%).
- O setor de Transportes também ajudou a reduzir o índice, com queda de 0,86%. As passagens aéreas tiveram retração de 13,17%, enquanto os combustíveis registraram redução média, com destaque para o etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). O transporte por aplicativo também apresentou queda de 4,57%.
- Apesar da redução geral, alguns grupos registraram aumento de preços em agosto. As maiores altas vieram de Despesas pessoais, com avanço de 1,30%, Artigos de residência (0,64%), Educação (0,47%) e Saúde e cuidados pessoais (0,23%).
- O índice de difusão da inflação, que mede a proporção de produtos e serviços que tiveram aumento de preços, ficou em 54%. Isso significa que mais da metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE apresentou alta no mês, mesmo com o resultado geral negativo.
- A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O mercado financeiro projeta que a inflação encerre 2026 em torno de 5%, acima do limite superior da meta.
- O IPCA é calculado pelo IBGE com base nos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. A pesquisa acompanha 377 itens em regiões metropolitanas, capitais e no Distrito Federal, incluindo Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.