19 de agosto de 2026
Juros das famílias chegam a 64% ao ano e reforçam pressão sobre o orçamento dos brasileiros
Publicado em 30 de julho de 2026 - 14h23
  1. As famílias brasileiras seguem enfrentando um cenário de crédito caro. Dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central mostram que a taxa média de juros cobrada nas operações de crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho, resultado que reflete principalmente o aumento do custo do crédito pessoal não consignado. Ao mesmo tempo, a inadimplência continua elevada e uma parcela significativa da renda das famílias permanece comprometida com o pagamento de dívidas.
  2. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, a taxa média dos juros para pessoas físicas avançou 1,2 ponto percentual em relação a maio e acumula alta de 4,6 pontos percentuais nos últimos 12 meses. O Banco Central atribui esse movimento, principalmente, ao encarecimento do crédito pessoal não consignado, modalidade que registrou aumento de 7 pontos percentuais no período.
  3. Considerando todas as operações de crédito, a taxa média das novas concessões ficou em 33,4% ao ano, levemente acima da registrada no mês anterior. O spread bancário diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados dos clientes  permaneceu em 21,9 pontos percentuais, praticamente estável em relação a maio, mas superior ao observado no mesmo período do ano passado.
  4. Os indicadores também mostram que o atraso no pagamento das dívidas segue em um patamar elevado. A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional permaneceu em 4,7% em junho, enquanto entre as pessoas físicas o índice ficou em 5,6%. No crédito livre, onde os recursos não possuem destinação específica, a inadimplência das famílias alcançou 7,6%, mantendo a tendência de alta na comparação com os últimos 12 meses.
  5. O levantamento aponta ainda que o endividamento das famílias chegou a 49,8% em maio. Embora tenha apresentado pequena redução em relação ao mês anterior, o percentual continua acima do registrado há um ano. Já o comprometimento da renda com o pagamento de empréstimos e financiamentos atingiu 28,5%, indicando que mais de um quarto da renda das famílias segue destinado ao pagamento de dívidas.
  6. Mesmo com os juros elevados, o volume de crédito continua crescendo. O saldo das operações do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,4 trilhões em junho, alta de 0,7% no mês e de 9,7% em comparação com o mesmo período de 2025. Desse total, R$ 4,6 trilhões correspondem às operações contratadas por pessoas físicas.
  7. No crédito livre destinado às famílias, o estoque chegou a R$ 2,5 trilhões. Apesar do crescimento acumulado em 12 meses, houve uma leve retração frente a maio. Segundo o Banco Central, a redução foi influenciada principalmente pela queda nas carteiras de financiamento de veículos e do crédito pessoal não consignado sem garantias.
  8. O levantamento também mostra que o crédito ampliado ao setor não financeiro atingiu R$ 21,7 trilhões em junho, valor equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado foi impulsionado pelo crescimento dos títulos públicos, das operações de crédito do sistema financeiro e dos empréstimos externos, favorecidos pela desvalorização cambial registrada no período.
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