19 de agosto de 2026
Marrocos zera imposto de importação sobre carnes e amplia oportunidades para exportações brasileiras
Publicado em 06 de agosto de 2026 - 14h09
  1. O governo do Marrocos suspendeu temporariamente a cobrança do direito de importação sobre ovinos vivos e carnes bovina, ovina, caprina e camelídea até 31 de dezembro de 2026. A medida, que entrou em vigor em 27 de julho, vale para produtos vindos de todos os países e tem como objetivo aumentar o abastecimento interno de carnes vermelhas diante da redução do rebanho nacional.
  2. A decisão foi oficializada pelo Decreto nº 2.26.584 e pela Circular nº 6762/211, publicados pela Administração das Alfândegas e Impostos Indiretos do Marrocos. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a suspensão inclui ovinos domésticos vivos e carnes das espécies bovina, ovina, caprina e camelídea.
  3. A medida contempla os ovinos domésticos vivos classificados na posição tarifária 0104.10.90.10 e carnes enquadradas nas posições 02.01, 02.02, 02.04 e 0208.60. Já as miudezas de animais das espécies bovina, ovina, caprina e camelídea continuam sujeitas à cobrança de 30% de imposto de importação.
  4. De acordo com o governo marroquino, a decisão foi adotada para ampliar a oferta de carne no mercado interno. O país enfrenta uma redução significativa do rebanho, com o censo pecuário de 2025 apontando queda aproximada de 30% no número de bovinos, cenário relacionado principalmente aos períodos prolongados de seca e ao aumento dos custos de alimentação animal.
  5. A mudança pode beneficiar países exportadores, incluindo o Brasil, que já possui participação relevante no fornecimento de animais vivos ao mercado marroquino. Desde o fim de 2022, a importação de bovinos vivos brasileiros destinados ao abate conta com suspensão semelhante dentro de cotas tarifárias definidas pelo governo do Marrocos.
  6. Para 2026, o contingente anual estabelecido pelo país africano é de 300 mil cabeças de bovinos vivos. O comércio entre Brasil e Marrocos vem apresentando forte crescimento nos últimos anos, especialmente nesse segmento.
  7. Em 2025, as exportações brasileiras de bovinos vivos para o Marrocos alcançaram US$ 213,5 milhões, um avanço expressivo em relação aos US$ 41 milhões registrados em 2024. No período, o Brasil respondeu por 46,7% das importações marroquinas desse produto.
  8. No primeiro quadrimestre de 2026, o Marrocos já aparece como um dos principais destinos dos bovinos vivos exportados pelo Brasil, consolidando a importância do mercado para a pecuária nacional.
  9. Com a suspensão temporária das tarifas, o governo marroquino busca garantir maior disponibilidade de carnes para a população, enquanto fornecedores internacionais ganham espaço em um mercado que enfrenta desafios na produção interna.
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