- A criação de abelhas sem ferrão, conhecida como meliponicultura, vem conquistando novos adeptos nas áreas urbanas brasileiras. A atividade, que alia produção de mel, preservação ambiental e possibilidade de geração de renda, tem atraído moradores interessados em manter pequenas colmeias mesmo em espaços reduzidos, como quintais e áreas residenciais.
- Diferentemente das abelhas tradicionais utilizadas na apicultura, as espécies sem ferrão possuem comportamento mais adaptado ao convívio próximo das pessoas, o que facilita a criação em ambientes urbanos. Além da produção de mel, a atividade contribui para a polinização de plantas e para a conservação de espécies nativas.
- Em Ribeirão Preto (SP), o apicultor Anderson Magalhães transformou a criação de abelhas em uma atividade profissional. Ele chegou a manter 120 colônias de 36 espécies diferentes em uma área urbana e, atualmente, administra mais de 600 colmeias em parceria com agricultores, além de oferecer consultorias para quem deseja iniciar na meliponicultura.
- Em São Carlos (SP), a bióloga Juliana Massimino Feres também encontrou na criação de abelhas uma oportunidade de negócio. A marca de mel Eborá, criada por ela, já representa uma parcela significativa da renda da família e faz parte de iniciativas que incentivam a entrada de mulheres no setor.
- O crescimento do interesse pela atividade também aparece na procura por capacitações. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), milhares de pessoas já participaram de cursos sobre meliponicultura, incluindo uma formação online e gratuita voltada para quem deseja conhecer as técnicas de criação e manejo das colônias.
- Apesar da expansão, especialistas alertam que a criação exige cuidados específicos. O uso de inseticidas, a perda de habitat e o manejo inadequado podem prejudicar as colônias e afetar a sobrevivência das espécies nativas.
- Outro ponto importante é o cadastro das colmeias junto aos órgãos responsáveis. A medida permite o acompanhamento sanitário e ajuda no controle da atividade, garantindo maior segurança para os criadores e para a preservação das abelhas.
- Com investimento relativamente baixo e possibilidade de adaptação a pequenos espaços, a meliponicultura se consolida como uma alternativa que aproxima as pessoas da natureza e contribui para a conservação da biodiversidade brasileira.