- A redução no abate de fêmeas começa a mudar o cenário da pecuária brasileira e pode provocar uma menor oferta de gado para os frigoríficos em 2026. O movimento ocorre porque pecuaristas estão segurando mais matrizes nas propriedades diante da valorização dos bezerros e da maior atratividade da reprodução, estratégia que pode reduzir a disponibilidade de animais para corte nos próximos meses.
- Dados do mercado mostram que a participação das fêmeas nos abates com Serviço de Inspeção Federal (SIF) caiu de 44,7% em fevereiro para 32,1% em agosto. Em julho, enquanto o volume total de abates recuou cerca de 22%, a quantidade de fêmeas enviadas aos frigoríficos teve queda ainda maior, de 32%.
- A retenção das matrizes indica uma mudança no ciclo pecuário. Com mais vacas permanecendo nas fazendas para reprodução, a tendência é de menor oferta de animais terminados no curto prazo. Especialistas avaliam que esse movimento pode ganhar força até o final do ano e continuar influenciando o mercado em 2027.
- A expectativa de redução na oferta já aparece nos contratos futuros negociados na B3. O boi gordo com vencimento em outubro encerrou o pregão cotado a R$ 377,40 por arroba, enquanto o contrato para janeiro de 2027 chegou a R$ 385,30 por arroba. No mercado físico, a arroba era negociada em torno de R$ 345 em Araçatuba (SP), acumulando valorização de 10,6% desde janeiro.
- Além da menor disponibilidade interna, a demanda internacional também pode contribuir para manter os preços firmes. Os Estados Unidos ampliaram temporariamente a entrada de carne bovina com tarifa reduzida, enquanto a China é apontada como um mercado que pode retomar as compras no último trimestre.
- Com menos animais disponíveis e maior procura externa, a tendência é de pressão sobre os preços da carne bovina ao consumidor. No entanto, uma valorização muito elevada pode estimular a substituição por outras proteínas, como carne de frango e suína, reduzindo parte da demanda pela carne bovina.
- O comportamento do mercado dependerá do ritmo de retenção de fêmeas, da evolução dos abates, das exportações e das condições econômicas dos consumidores brasileiros.