3 de outubro de 2026
Menor oferta de gado pode pressionar preço da carne bovina em 2026 com retenção de fêmeas nas fazendas
Publicado em 15 de setembro de 2026 - 07h34
  1. A redução no abate de fêmeas começa a mudar o cenário da pecuária brasileira e pode provocar uma menor oferta de gado para os frigoríficos em 2026. O movimento ocorre porque pecuaristas estão segurando mais matrizes nas propriedades diante da valorização dos bezerros e da maior atratividade da reprodução, estratégia que pode reduzir a disponibilidade de animais para corte nos próximos meses.
  2. Dados do mercado mostram que a participação das fêmeas nos abates com Serviço de Inspeção Federal (SIF) caiu de 44,7% em fevereiro para 32,1% em agosto. Em julho, enquanto o volume total de abates recuou cerca de 22%, a quantidade de fêmeas enviadas aos frigoríficos teve queda ainda maior, de 32%.
  3. A retenção das matrizes indica uma mudança no ciclo pecuário. Com mais vacas permanecendo nas fazendas para reprodução, a tendência é de menor oferta de animais terminados no curto prazo. Especialistas avaliam que esse movimento pode ganhar força até o final do ano e continuar influenciando o mercado em 2027.
  4. A expectativa de redução na oferta já aparece nos contratos futuros negociados na B3. O boi gordo com vencimento em outubro encerrou o pregão cotado a R$ 377,40 por arroba, enquanto o contrato para janeiro de 2027 chegou a R$ 385,30 por arroba. No mercado físico, a arroba era negociada em torno de R$ 345 em Araçatuba (SP), acumulando valorização de 10,6% desde janeiro.
  5. Além da menor disponibilidade interna, a demanda internacional também pode contribuir para manter os preços firmes. Os Estados Unidos ampliaram temporariamente a entrada de carne bovina com tarifa reduzida, enquanto a China é apontada como um mercado que pode retomar as compras no último trimestre.
  6. Com menos animais disponíveis e maior procura externa, a tendência é de pressão sobre os preços da carne bovina ao consumidor. No entanto, uma valorização muito elevada pode estimular a substituição por outras proteínas, como carne de frango e suína, reduzindo parte da demanda pela carne bovina.
  7. O comportamento do mercado dependerá do ritmo de retenção de fêmeas, da evolução dos abates, das exportações e das condições econômicas dos consumidores brasileiros.
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