5 de julho de 2026
Mercado eleva projeção da inflação para 4,31% em 2026 e mantém cautela sobre juros
Publicado em 30 de março de 2026 - 15h50

A previsão do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA em 2026 passou de 4,17% para 4,31%, marcando a terceira alta consecutiva nas projeções dos analistas. Segundo a Agência Brasil, mesmo com a revisão para cima, a expectativa ainda permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional. O centro da meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece limite máximo de 4,5% e mínimo de 1,5%.

A pressão recente sobre os preços ocorre em meio ao cenário de instabilidade internacional, especialmente diante das tensões envolvendo a guerra no Oriente Médio. No cenário doméstico, a inflação de fevereiro foi puxada principalmente pelos grupos de transportes e educação, fazendo o índice mensal acelerar para 0,7%, acima dos 0,33% registrados em janeiro.

Por outro lado, o acumulado da inflação em 12 meses apresentou desaceleração e ficou em 3,81%, recuando para baixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Para os anos seguintes, o mercado também revisou levemente as projeções: a inflação esperada para 2027 subiu de 3,8% para 3,84%, enquanto para 2028 e 2029 as estimativas ficaram em 3,57% e 3,5%, respectivamente.

No campo da política monetária, a taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 14,75% ao ano. Na reunião mais recente, o Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, reduzir os juros em 0,25 ponto percentual. Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, parte do mercado apostava em um corte mais intenso, de 0,5 ponto.

A Selic vinha de um patamar de 15% ao ano, após atingir 15,25%, o maior nível desde julho de 2006. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em sete reuniões consecutivas e, depois disso, permaneceu estável por quatro encontros seguidos. Embora o BC tenha iniciado um movimento de queda, o cenário externo mais incerto pode levar a autoridade monetária a rever o ritmo desse processo.

De acordo com o Focus, a expectativa para a Selic no fim de 2026 foi mantida em 12,5% ao ano. Para 2027, a projeção é de recuo para 10,5%, seguida de 10% em 2028 e 9,75% em 2029. O próximo encontro do Copom, que voltará a discutir os rumos da taxa básica, está marcado para abril.

As previsões do mercado também trouxeram pequena melhora para a atividade econômica. A estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2026 passou de 1,84% para 1,85%. Para 2027, a projeção ficou em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa é de expansão de 2% em cada ano. Já o dólar deve encerrar este ano cotado a R$ 5,40, com previsão de atingir R$ 5,45 ao fim de 2027.

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