5 de outubro de 2026
Mercado reage à liderança de Flávio Bolsonaro e dólar cai abaixo de R$ 5 após 1º turno
Publicado em 05 de outubro de 2026 - 08h29
  1. O mercado financeiro reagiu positivamente ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizado neste domingo (4), que colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Na manhã desta segunda-feira (5), o dólar abriu em forte queda, enquanto ações brasileiras negociadas no exterior registraram altas expressivas, refletindo a surpresa dos investidores com a vantagem obtida pelo candidato do PL.
  2. Com 100% das seções totalizadas, Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
  3. A reação já havia começado antes da abertura dos mercados brasileiros. O ETF EWZ, que acompanha ações brasileiras e é negociado em Nova York, chegou a registrar alta próxima de 13% na pré-abertura desta segunda-feira. Na sexta-feira, antes da votação, o Ibovespa havia encerrado o pregão aos 192.114 pontos, com alta de 2,62%.
  4. Entre as empresas brasileiras negociadas no exterior, os recibos de ações da Petrobras chegaram a subir 9,93% no pré-mercado de Nova York, enquanto os da Vale avançaram 6,03%. Os papéis do Itaú Unibanco e do Bradesco também registraram fortes altas no mesmo período.
  5. No mercado de câmbio, o dólar abriu a segunda-feira com queda de aproximadamente 4,3%, cotado perto de R$ 4,99, segundo dados divulgados no início das negociações. A valorização do real ocorre em meio à expectativa de investidores de que o resultado eleitoral possa produzir mudanças na percepção sobre a política fiscal e econômica do próximo governo.
  6. Analistas ouvidos por veículos especializados avaliam que parte da reação está relacionada ao desempenho de Flávio acima do que vinha sendo antecipado por pesquisas e pelo mercado. A percepção entre alguns investidores é de que uma eventual agenda de maior controle fiscal poderia favorecer a Bolsa, reduzir os juros futuros e fortalecer o real. Essas são, porém, expectativas de mercado, e não resultados já definidos.
  7. O comportamento dos ativos também está ligado à composição do Congresso Nacional definida no mesmo domingo. A eleição ampliou a presença de partidos de direita e centro-direita no Legislativo, cenário que, na avaliação de alguns gestores, pode facilitar a aprovação de determinadas medidas econômicas. Outros analistas, contudo, alertam que o resultado do primeiro turno não permite antecipar como será a política econômica do próximo governo.
  8. A cautela permanece porque a disputa presidencial ainda não terminou. O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula será realizado em 25 de outubro, e novas pesquisas, declarações dos candidatos, alianças e propostas econômicas podem provocar novas oscilações nos mercados nas próximas semanas.
  9. Para especialistas, a manutenção de uma eventual alta da Bolsa e de um real mais valorizado dependerá principalmente das sinalizações concretas sobre controle das contas públicas, política econômica, juros e composição da equipe responsável pela área econômica.
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