18 de outubro de 2026
Moagem mundial de cacau cresce 15% e Brasil registra alta de 16,4% no trimestre
Publicado em 16 de outubro de 2026 - 09h10
  1. A moagem mundial de cacau deve alcançar 906 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo estimativa da consultoria StoneX divulgada nesta quinta-feira (15). No Brasil, o processamento chegou a 53,7 mil toneladas, alta de 16,4% em um ano, enquanto a Costa do Marfim registrou crescimento de 40%.
  2. O resultado global supera as expectativas do mercado, que projetava um volume entre 805 mil e 875 mil toneladas. Com a recuperação, o processamento nas principais regiões acompanhadas pela consultoria volta a se aproximar do patamar registrado em 2024, após a retração observada em 2025.
  3. Na Europa, a moagem somou 348,2 mil toneladas, marcando a primeira alta anual desde o segundo trimestre de 2024. Na Ásia, o volume chegou a 233,8 mil toneladas, o maior resultado para um terceiro trimestre na série da Associação de Cacau da Ásia.
  4. A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, processou 157,4 mil toneladas no período, avanço de 40% em comparação com o terceiro trimestre de 2025. Parte desse crescimento pode estar relacionada à maior disponibilidade de amêndoas e aos preços mais baixos registrados no início deste ano. A consultoria, porém, ressalta que parte da alta também reflete uma base de comparação mais baixa.
  5. No Brasil, além do aumento da moagem, as entregas de amêndoas às indústrias totalizaram 71,7 mil toneladas entre julho e setembro. Segundo dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), foi o maior volume registrado para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2023.
  6. Apesar dos resultados positivos, a recuperação ainda enfrenta desafios. A moagem brasileira no terceiro trimestre permaneceu cerca de 3% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a setembro, o processamento chegou a 155,2 mil toneladas, alta de 7,7% sobre 2025, mas ainda 8,6% inferior ao registrado em 2024 e 18,5% abaixo de 2023.
  7. O principal ponto de atenção é a demanda por derivados, como manteiga e líquor de cacau. A StoneX ainda não identifica sinais claros de fortalecimento do consumo desses produtos. Assim, mesmo com mais matéria-prima disponível e maior atividade nas fábricas, a continuidade da recuperação dependerá da capacidade do mercado de absorver a produção.
  8. O cenário indica uma retomada do processamento industrial, mas ainda sem garantia de recuperação completa do setor. Para consolidar o avanço, será necessário combinar oferta de amêndoas, atividade das indústrias e demanda consistente pelos produtos derivados do cacau.
Últimas Notícias
Veja Também