- A moagem mundial de cacau deve alcançar 906 mil toneladas no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo estimativa da consultoria StoneX divulgada nesta quinta-feira (15). No Brasil, o processamento chegou a 53,7 mil toneladas, alta de 16,4% em um ano, enquanto a Costa do Marfim registrou crescimento de 40%.
- O resultado global supera as expectativas do mercado, que projetava um volume entre 805 mil e 875 mil toneladas. Com a recuperação, o processamento nas principais regiões acompanhadas pela consultoria volta a se aproximar do patamar registrado em 2024, após a retração observada em 2025.
- Na Europa, a moagem somou 348,2 mil toneladas, marcando a primeira alta anual desde o segundo trimestre de 2024. Na Ásia, o volume chegou a 233,8 mil toneladas, o maior resultado para um terceiro trimestre na série da Associação de Cacau da Ásia.
- A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, processou 157,4 mil toneladas no período, avanço de 40% em comparação com o terceiro trimestre de 2025. Parte desse crescimento pode estar relacionada à maior disponibilidade de amêndoas e aos preços mais baixos registrados no início deste ano. A consultoria, porém, ressalta que parte da alta também reflete uma base de comparação mais baixa.
- No Brasil, além do aumento da moagem, as entregas de amêndoas às indústrias totalizaram 71,7 mil toneladas entre julho e setembro. Segundo dados da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), foi o maior volume registrado para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2023.
- Apesar dos resultados positivos, a recuperação ainda enfrenta desafios. A moagem brasileira no terceiro trimestre permaneceu cerca de 3% abaixo do volume registrado no mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a setembro, o processamento chegou a 155,2 mil toneladas, alta de 7,7% sobre 2025, mas ainda 8,6% inferior ao registrado em 2024 e 18,5% abaixo de 2023.
- O principal ponto de atenção é a demanda por derivados, como manteiga e líquor de cacau. A StoneX ainda não identifica sinais claros de fortalecimento do consumo desses produtos. Assim, mesmo com mais matéria-prima disponível e maior atividade nas fábricas, a continuidade da recuperação dependerá da capacidade do mercado de absorver a produção.
- O cenário indica uma retomada do processamento industrial, mas ainda sem garantia de recuperação completa do setor. Para consolidar o avanço, será necessário combinar oferta de amêndoas, atividade das indústrias e demanda consistente pelos produtos derivados do cacau.