21 de maio de 2026
MS já produz mais energia do que usa e esbarra na própria rede de transmissão
Publicado em 24 de abril de 2026 - 10h17

Relatório do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) confirma que Mato Grosso do Sul já apresenta sinais de excesso de geração de energia em determinados períodos do dia, cenário que pode levar a restrições operacionais e até cortes na produção, caso a infraestrutura não acompanhe o crescimento do setor.

De acordo com o documento, o Estado tem registrado saldo exportador, especialmente em horários de menor consumo. “O estado do Mato Grosso do Sul tem apresentado saldo exportador de energia em determinados cenários, especialmente nos períodos diurnos e de menor demanda”.


A tendência, segundo o operador, é de intensificação desse cenário. “Essa característica de exportação de potência do estado deve ser ainda mais acentuada devido à crescente procura de novos empreendedores de geração, notadamente de usinas fotovoltaicas”.

O crescimento acelerado da geração, porém, já começa a pressionar a infraestrutura. O relatório aponta que, em momentos de excesso de produção, há impacto direto na rede. “Observam-se elevados carregamentos na área elétrica, notadamente em regiões de fronteira com estados vizinhos”.

Um dos pontos críticos identificados é a subestação de Ilha Solteira 2, na divisa com São Paulo, considerada estratégica para o escoamento da energia produzida em Mato Grosso do Sul.

Outro alerta aparece na ligação entre Dourados e o Paraná, onde o operador identifica “risco de sobrecarga, em regime normal de operação e em condições de contingência”, o que reforça a necessidade de obras estruturais para ampliar a capacidade da rede.

Capacidade remanescente para escoamento de geração [de energia] de 2027 a 2030 (Edição: Kamila Alcântara)
O relatório também destaca um fenômeno mais recente e sensível: o avanço da geração distribuída, como sistemas solares em telhados, que já supera o consumo local em determinados momentos do dia. Segundo o documento, há estados, incluindo Mato Grosso do Sul, onde “a geração distribuída já supera de forma consistente a carga atendida nas redes de distribuição”

Na prática, isso significa que o Estado chega a injetar energia no sistema nacional durante o dia. O próprio operador detalha que Mato Grosso do Sul registrou “carga líquida negativa […] com valores mínimos de até 906 MW”, evidenciando o volume de excedente.

Apesar do ganho em produção, esse cenário traz risco operacional. O ONS alerta que o crescimento da geração distribuída, que não é totalmente controlável, pode provocar desequilíbrio no sistema. “A expansão da geração distribuída […] pode acarretar desequilíbrio entre carga e geração”.

Em situações mais críticas, o documento indica a possibilidade de intervenção direta. Segundo o relatório, já existem medidas operativas que preveem “o corte manual da geração distribuída […] mediante solicitação do ONS”.

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