3 de outubro de 2026
Número de motociclistas de aplicativo quase dobra no Brasil, mas só 19,4% têm cobertura previdenciária
Publicado em 04 de setembro de 2026 - 15h03
  1. O Brasil tinha 405 mil motociclistas que trabalhavam por meio de aplicativos em 2025, como plataformas de transporte de passageiros e entrega de comida e produtos. Desse total, apenas 79 mil, o equivalente a 19,4%, tinham cobertura previdenciária. Os dados fazem parte do módulo sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4).
  2. O índice de cobertura entre os motociclistas que trabalham por aplicativos fica bem abaixo do registrado entre todas as pessoas ocupadas no setor privado, que chega a 62,4%. Considerando todos os motociclistas do país, independentemente de trabalharem ou não por plataformas, a cobertura previdenciária é de 31%.
  3. A contribuição para a Previdência Social garante ao trabalhador acesso a benefícios como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte. Segundo o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, a baixa parcela de motociclistas plataformizados protegidos chama atenção diante dos riscos associados à atividade, que podem incluir acidentes.
  4. Número de motociclistas de aplicativo quase dobra em três anos
  5. O levantamento mostra que o trabalho por aplicativos avançou rapidamente entre os motociclistas. De 2024 para 2025, o número de trabalhadores nessa modalidade cresceu 15,4%. Já na comparação com 2022, primeiro ano em que a pesquisa foi realizada, o contingente praticamente dobrou, passando de 211 mil para 405 mil pessoas.
  6. Apesar do crescimento, os motociclistas que trabalham por aplicativos enfrentam jornadas mais longas. Em 2025, eles trabalhavam, em média, 44,9 horas por semana, contra 41,1 horas dos motociclistas que não utilizavam plataformas.
  7. Por outro lado, o rendimento médio por hora dos trabalhadores plataformizados foi maior: R$ 11,40, contra R$ 10,10 entre os demais motociclistas, uma diferença de 12,9%. O rendimento mensal efetivamente retirado pelos motociclistas de aplicativos ficou em R$ 2.221, já considerando despesas como combustível.
  8. Motoristas de aplicativo também têm baixa cobertura previdenciária
  9. A pesquisa também analisou os motoristas que trabalham por meio de aplicativos. Em 2025, esse grupo reunia 905 mil pessoas, número 9,8% maior que o registrado em 2024. Em relação a 2022, quando havia 718 mil motoristas nessa condição, o crescimento foi de 26%.
  10. A cobertura previdenciária entre os motoristas de aplicativos também ficou abaixo da média nacional. Apenas 25,5% estavam protegidos pela Previdência, enquanto, entre todos os motoristas do país, plataformizados ou não, o índice chegava a 43,8%.
  11. Nesse grupo, a relação entre jornada e rendimento também foi diferente. Os motoristas de aplicativos trabalhavam, em média, 45,9 horas por semana e recebiam R$ 14,40 por hora. Entre os motoristas que não trabalhavam por plataformas, a jornada era de 40,4 horas semanais e o rendimento médio por hora chegava a R$ 16.
  12. Mesmo com o rendimento horário menor, os motoristas de aplicativos terminavam o mês com uma remuneração média de R$ 2.873, valor 2,4% superior ao dos motoristas não plataformizados.
  13. A pesquisa do IBGE é considerada experimental e permanece em fase de teste e avaliação. Não houve coleta de informações sobre o trabalho por plataformas em 2023.
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