19 de agosto de 2026
Número de pessoas em situação de fome cai para 645 milhões no mundo, aponta relatório da ONU
Publicado em 22 de julho de 2026 - 10h20
  1. O número de pessoas em situação de fome no mundo caiu pelo terceiro ano consecutivo e chegou a 645 milhões em 2025, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI), elaborado por cinco organismos internacionais. O levantamento aponta uma redução de quase 14 milhões de pessoas em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022, mas alerta que o avanço ainda é insuficiente para eliminar a fome até 2030.
  2. O estudo foi produzido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Os dados foram apresentados nesta terça-feira (21), durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, em Roma, na Itália.
  3. De acordo com o relatório, 7,8% da população mundial enfrentou fome em 2025. O percentual representa uma melhora em relação aos 8,1% registrados em 2024 e aos níveis mais elevados observados nos anos anteriores, mas ainda mantém milhões de pessoas sem acesso regular a alimentos suficientes para uma vida saudável.
  4. O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, destacou que os resultados mostram avanços, mas reforçou a necessidade de acelerar as ações contra a insegurança alimentar. Segundo ele, o combate à fome depende de compromisso político, investimentos contínuos e políticas públicas capazes de ampliar o acesso a dietas saudáveis.
  5. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Fernanda Machiaveli, afirmou durante o evento que a fome pode ser evitada quando governos priorizam o combate à pobreza e à desigualdade.
  6. O relatório também apontou melhora no número de pessoas em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Em 2025, cerca de 2,1 bilhões de pessoas, o equivalente a 25,8% da população mundial, estavam nessa condição. O resultado representa queda em relação aos 27,1% registrados em 2024 e aos 28,7% de 2020, mas permanece acima dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
  7. Apesar da redução global, os avanços continuam desiguais entre as regiões. A África concentra atualmente o maior número absoluto de pessoas em situação de fome, com cerca de 309 milhões de habitantes afetados em 2025. O continente registrou uma prevalência de 20% da população em situação de fome, enquanto América Latina e Caribe e Ásia apresentaram melhora gradual nos últimos três anos.
  8. A insegurança alimentar também permanece mais frequente nas áreas rurais e entre grupos mais vulneráveis. As mulheres continuam sendo afetadas de maneira desproporcional, embora a diferença em relação aos homens tenha diminuído levemente em 2025.
  9. Na área de nutrição, os organismos internacionais alertam que o ritmo de melhora ainda é lento. Cerca de 150 milhões de crianças menores de cinco anos sofrem com atraso no crescimento, enquanto a anemia entre mulheres em idade fértil segue avançando em escala global. O relatório também destaca o aumento da obesidade adulta, que passou de 12,1% em 2012 para 16,2% em 2024.
  10. Outro desafio apontado pelo estudo é o custo elevado de uma alimentação saudável. Embora tenha diminuído o número de pessoas que não conseguem pagar por uma dieta adequada, de 2,97 bilhões em 2021 para 2,69 bilhões em 2025, o problema ainda atinge uma parcela significativa da população mundial.
  11. A África apresenta o cenário mais crítico, com 66,6% da população sem condições de arcar com uma alimentação saudável. O relatório estima que o custo médio mundial de uma dieta adequada chegou a US$ 4,28 por pessoa por dia, considerando a paridade do poder de compra.
  12. Segundo a FAO, reduzir esse custo exige investimentos em infraestrutura, pesquisa, irrigação, armazenamento, transporte refrigerado e mudanças em políticas de incentivo ao setor agrícola. Os organismos responsáveis pelo levantamento defendem medidas que ampliem a produção e a oferta de alimentos nutritivos, além de reduzir barreiras econômicas que dificultam o acesso da população.
  13. Para os próximos anos, o relatório alerta que conflitos internacionais, eventos climáticos extremos e a redução de financiamentos humanitários podem ameaçar os avanços recentes. A FAO destaca que o fortalecimento dos sistemas agroalimentares será essencial para garantir maior segurança alimentar em todo o planeta.
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