O Pix por aproximação passa a seguir novas regras a partir desta quinta-feira (1º), com o fim do limite específico de R$ 500 por transação. A mudança determinada pelo Banco Central (BC) permite que o cliente solicite ao banco o aumento ou a redução dos limites para esse tipo de pagamento, que continuará sujeito às regras de segurança e aos limites definidos para cada conta.
Na prática, o fim do teto não significa que qualquer pessoa poderá fazer automaticamente um Pix por aproximação de valor elevado. O usuário continuará submetido aos limites estabelecidos pela instituição financeira e poderá gerenciá-los pelo aplicativo do banco. Assim, uma operação de R$ 600 ou R$ 1 mil, por exemplo, poderá ser realizada por aproximação caso esteja dentro do limite autorizado para aquela conta.
A alteração foi estabelecida pela Instrução Normativa BCB nº 746, publicada em junho deste ano. A norma revogou justamente os dispositivos que determinavam o limite máximo de R$ 500 por transação para o Pix iniciado por aproximação e entrou em vigor em 1º de outubro. A mudança também alcança transações iniciadas pela Jornada Sem Redirecionamento (JSR) do Open Finance, incluindo pagamentos realizados por carteiras digitais compatíveis.
Com a nova regra, os bancos devem disponibilizar ferramentas para que os clientes façam a gestão dos limites pelo aplicativo. O pedido de aumento pode ser analisado pela instituição financeira, enquanto a redução do limite deve ser atendida imediatamente, conforme as regras gerais de gerenciamento de limites do Pix.
O Pix por aproximação utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite a comunicação entre dispositivos próximos. O recurso foi introduzido na regulamentação do Pix pelo Banco Central em 2025 e passou a ser oferecido a partir de dezembro daquele ano, conforme a implementação das instituições.
Para utilizar a modalidade, o cliente pode fazer o pagamento diretamente pelo aplicativo do banco ou por uma carteira digital compatível, desde que a conta esteja previamente vinculada. No momento da compra, basta selecionar o Pix por aproximação, conferir o valor e os dados do pagamento, aproximar o celular da máquina e realizar a autenticação solicitada.
A retirada do teto também reforça a necessidade de atenção contra golpes. Antes de aproximar o celular, o consumidor deve conferir o valor apresentado na maquininha, verificar os dados do estabelecimento e manter mecanismos de bloqueio e autenticação ativos. Também é recomendado acompanhar as notificações das transações e revisar periodicamente os limites configurados no aplicativo bancário.
A mudança ocorre em um momento de forte utilização do Pix no país. Em agosto, o sistema registrou cerca de 8,11 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 3,73 trilhões, segundo dados do Banco Central. O Pix por aproximação, porém, ainda representa uma parcela pequena desse universo: foram aproximadamente 2 milhões de operações no mês, o equivalente a 0,06% do total. Em janeiro, eram cerca de 1,06 milhão de transações, indicando crescimento da modalidade ao longo do ano.
A expectativa com a nova regra é que o Pix por aproximação fique mais próximo das demais formas de utilização do sistema, permitindo pagamentos de valores maiores sem um teto específico para cada operação, mas mantendo os mecanismos de controle e segurança definidos pelo banco e pelo próprio usuário.