- O preço do etanol hidratado voltou a cair no mercado paulista após quase dois meses de valorização. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a retração foi influenciada pela necessidade de algumas usinas reforçarem o caixa e liberarem espaço nos tanques de armazenamento. Apesar da queda nas cotações, o volume médio semanal negociado em setembro de 2026 ficou 57,7% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
- Entre os dias 21 e 25 de setembro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou em R$ 2,5820 por litro nas usinas paulistas, recuo de 2,24% em relação à semana anterior, quando o combustível era negociado a R$ 2,6412. O movimento interrompeu uma sequência de altas que vinha sendo registrada desde o início de agosto.
- As chuvas recentes nas principais regiões produtoras também influenciaram as negociações. Em algumas unidades, as precipitações dificultaram a colheita e o transporte da cana-de-açúcar, reduzindo o ritmo de moagem e limitando a disponibilidade imediata de etanol. Com menos produto para comercialização, parte das usinas manteve os preços pedidos, mesmo diante da retração observada no mercado.
- Do lado das distribuidoras, a estratégia tem sido acompanhar as oscilações com cautela. Algumas empresas priorizaram a retirada de volumes adquiridos anteriormente e adiaram novas compras, à espera de uma definição mais clara sobre o comportamento dos preços.
- O aumento expressivo nas negociações em setembro mostra, entretanto, que a movimentação comercial permanece intensa. O volume médio semanal 57,7% superior ao de setembro de 2025 indica maior atividade nas vendas do biocombustível, mesmo com a mudança recente nas cotações.
- O comportamento do clima continuará sendo acompanhado pelo setor sucroenergético nas próximas semanas. Novos períodos de chuva podem comprometer o ritmo da colheita e da moagem, enquanto a necessidade de armazenamento e de recursos financeiros das usinas pode influenciar a quantidade de etanol colocada à venda.
- A queda registrada nas usinas paulistas, porém, não significa redução imediata dos preços nos postos. O valor pago pelos motoristas também depende de fatores como transporte, distribuição, tributos e margens de comercialização.