Agricultores cubanos estão colocando propriedades rurais à venda por preços reduzidos em julho de 2026, em diferentes regiões de Cuba, porque a escassez de petróleo e diesel inviabiliza o cultivo e o transporte dos alimentos. Sem combustível para tratores, sistemas de irrigação e caminhões, produtores acumulam prejuízos enquanto frutas e outras mercadorias apodrecem no campo.
Segundo reportagem publicada pelo Financial Times, há fazendas anunciadas por valores próximos de US$ 8 mil. Mesmo com os preços baixos, os proprietários enfrentam dificuldades para encontrar compradores, reflexo da perda do poder de compra e do agravamento da crise econômica na ilha.
O colapso do setor energético intensificou o problema. Algumas regiões registraram apagões de até 22 horas por dia, deixando produtores sem eletricidade para bombear água, conservar alimentos e manter equipamentos em funcionamento. Cuba também sofreu novas quedas de sua rede elétrica nacional em julho, expondo a falta de combustível e a deterioração das usinas e linhas de transmissão.
A crise atinge ainda propriedades que combinavam agricultura e turismo rural. Sem energia, transporte regular ou abastecimento suficiente, esses negócios perderam visitantes e enfrentam dificuldades para oferecer hospedagem, alimentação e outras atividades.
O governo cubano aprovou em junho um amplo pacote de reformas econômicas, com mais espaço para empresas privadas, investimentos estrangeiros e mudanças na administração das estatais. As medidas representam uma das maiores alterações no modelo econômico do país desde a Revolução de 1959, mas ainda dependem de regulamentação e implementação.
Entre as mudanças previstas está a substituição gradual dos subsídios universais distribuídos pela caderneta de racionamento, criada em 1962, por uma assistência direcionada a aposentados, crianças com doenças crônicas e outros grupos vulneráveis. A maior parte da população deverá comprar mais produtos a preços de mercado ou depender de remessas enviadas por familiares no exterior.
O cenário cria um ciclo difícil de romper: a falta de combustível reduz a produção e impede que os alimentos cheguem aos consumidores; a escassez eleva os preços; e a queda da renda afasta possíveis compradores das próprias fazendas colocadas à venda. Sem uma recuperação consistente do abastecimento energético, a agricultura continuará entre os setores mais pressionados pela crise cubana.