3 de outubro de 2026
Soja em Mato Grosso do Sul: produtor entra na safra 2026/2027 com custos elevados e maior atenção ao clima
Publicado em 02 de setembro de 2026 - 11h51

O produtor de soja de Mato Grosso do Sul inicia a safra 2026/2027 em um cenário que exige planejamento mais cuidadoso diante do aumento dos custos, do nível de endividamento das propriedades e das incertezas climáticas. Segundo levantamento da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS), o custo médio para produzir um hectare de soja no Estado chega a R$ 5.024,82, enquanto o produtor precisa alcançar uma produtividade mínima de 42,04 sacas por hectare para cobrir todas as despesas da atividade.

O estudo técnico “Custo de Produção da Soja — Safra 2026/2027”, elaborado pela entidade, aponta que os insumos continuam sendo o principal peso financeiro da lavoura. Fertilizantes, defensivos e sementes representam R$ 3.078,63 por hectare, equivalente a 61,27% do custo total de produção.

Dentro desse grupo, os fertilizantes aparecem como a maior despesa individual, com custo estimado em R$ 1.367,31 por hectare, seguidos pelos defensivos agrícolas, que somam R$ 1.071,42, e pelas sementes, com R$ 542,50 por hectare.

De acordo com a Aprosoja/MS, o momento exige atenção porque o produtor enfrenta uma combinação de fatores que podem influenciar diretamente a rentabilidade da safra. O coordenador técnico da entidade, Gabriel Balta, destaca que o cenário envolve maior endividamento, comportamento das compras de fertilizantes e as condições climáticas previstas para o Estado.

Com o preço médio da soja estimado em R$ 119,52 por saca, o levantamento indica que a produtividade considerada como referência é de 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras. Nesse cenário, a margem permanece positiva, mas ainda depende do comportamento dos preços, do clima e do controle dos custos.

Para produtores que trabalham em áreas arrendadas, a situação é mais desafiadora. O estudo considera um custo adicional equivalente a 15 sacas por hectare de arrendamento, elevando o custo total para R$ 6.817,62 por hectare. Nesse caso, seria necessário produzir 57,04 sacas por hectare para cobrir todas as despesas, volume superior à produtividade média utilizada como referência.

Outro ponto de preocupação é o clima. A previsão para Mato Grosso do Sul entre setembro e novembro indica possibilidade de chuvas próximas ou acima da média, mas com distribuição irregular, principalmente durante a transição entre o período seco e o início da temporada chuvosa. Os modelos climáticos também apontam possibilidade de temperaturas acima da média e ocorrência de períodos de calor intenso.

Segundo informações do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), as condições climáticas devem ser acompanhadas de perto pelos produtores durante o período de plantio, já que a irregularidade das chuvas pode afetar o desenvolvimento inicial das lavouras.

A estimativa do Projeto SIGA-MS, desenvolvido pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, aponta uma produtividade esperada de 52,4 sacas por hectare para a primeira safra 2026/2027, representando uma redução de 13,2% em comparação com a temporada anterior.

O levantamento da Aprosoja/MS foi elaborado com base na metodologia da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e adaptado à realidade da produção empresarial de soja em Mato Grosso do Sul. Os dados de preços e custos foram coletados junto a produtores, técnicos de campo e fornecedores entre os dias 1º e 30 de julho de 2026.

 

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