- A abertura de novos mercados pela Rota Bioceânica, a formação de profissionais preparados para operar novas tecnologias e o avanço da geração de energia limpa foram os principais temas discutidos durante o VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, realizado nesta quinta-feira (17), em Dourados. O encontro reuniu produtores, empresas, pesquisadores e representantes do setor para debater caminhos de crescimento e maior competitividade da cadeia produtiva.
- Organizado pela Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas), o evento destacou que a modernização das granjas trouxe ganhos importantes de produtividade, mas também aumentou a necessidade de profissionais qualificados para acompanhar a evolução tecnológica do setor.
- O presidente da Asumas, Renato Spera, afirmou que a sanidade animal e a inovação são pilares fundamentais para o futuro da atividade. Segundo ele, a suinocultura atual exige não apenas investimentos em equipamentos e sistemas modernos, mas também trabalhadores capacitados para operar essas ferramentas.
- “Hoje a suinocultura é moderna, é tecnificada. A gente coloca modernidade, mas precisa de pessoas para poder pilotar, para operar a atividade”, explicou.
- Outro ponto abordado pelo dirigente foi o avanço sanitário de Mato Grosso do Sul, que conquistou reconhecimento internacional como área livre de febre aftosa sem vacinação. Para o setor produtivo, esse cenário amplia as possibilidades comerciais e fortalece a posição do Estado na produção e exportação de proteína animal.
- A Rota Bioceânica também ganhou destaque durante os debates. A expectativa dos representantes do setor é que a nova ligação logística contribua para reduzir custos de transporte e facilite o acesso a mercados internacionais, especialmente no continente asiático. Além disso, a rota pode funcionar como uma via para entrada de novas tecnologias e equipamentos utilizados na produção.
- “Não só para a gente exportar, como para trazer tecnologia de fora, vai ser uma via de mão dupla”, afirmou Spera.
- A sustentabilidade também esteve entre os principais assuntos do fórum, especialmente com o avanço do uso do biometano, combustível renovável produzido a partir do processamento do biogás gerado pelos dejetos da criação de suínos.
- O produtor rural Milton Bigatão, de Itaporã, que atua na suinocultura desde 2001, destacou que a tecnologia transformou a atividade ao longo dos anos, com melhorias na genética dos animais, conversão alimentar e redução da mortalidade. Atualmente, a propriedade trabalha com um volume de abate que chega a 70 mil animais por ano.
- Para o produtor, o desafio atual é acompanhar o ritmo das mudanças. Segundo ele, o investimento em capacitação passou a ser essencial para que os criadores consigam aproveitar os avanços tecnológicos disponíveis.
- O biometano, segundo Bigatão, representa uma nova oportunidade para tornar a produção mais sustentável. Ele explica que muitas propriedades já utilizam o biogás para geração de energia própria, enquanto o biometano ainda está em fase de expansão no Estado.
- “A maioria das granjas hoje tem a geração de energia a biogás. O biometano é um pouco mais complicado, mas estamos caminhando para isso, gerar energia limpa”, destacou.
- Realizado no Salão de Eventos da Unigran, em Dourados, o fórum contou com debates sobre sustentabilidade, mercado, comunicação, desenvolvimento profissional e retenção de trabalhadores. A programação também incluiu a apresentação do Censo da Suinocultura, homenagens e o lançamento do 22º Congresso Nacional Abraves 2027.