18 de julho de 2026
Tarifa dos EUA deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro, estima CNA
Publicado em 17 de julho de 2026 - 13h34
  1. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão afetadas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano. A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22) e, apesar da ampliação da lista de produtos isentos, ainda deverá impactar cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras. Os outros 63,5% dos embarques do setor permanecerão livres da cobrança adicional.
  2. Segundo a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, a inclusão de novos produtos na lista de exceções, como pescados, mel e café solúvel, representa um avanço importante nas negociações conduzidas junto ao governo dos Estados Unidos. Ainda assim, a entidade avalia que uma parcela significativa das exportações continuará sujeita à sobretaxa, afetando diretamente diversos segmentos do agronegócio brasileiro.
  3. Dados do Sistema Agrostat mostram que, em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,409 bilhões para o mercado norte-americano. Entre os produtos que permanecerão sujeitos à tarifa de 25% estão madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros itens agropecuários, que juntos responderam por aproximadamente US$ 4,6 bilhões em vendas aos Estados Unidos no último ano.
  4. A CNA informou que participou de todas as etapas da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), apresentando estudos técnicos e participando das consultas públicas realizadas em Washington. A entidade defendeu a retirada de todos os produtos agropecuários brasileiros da lista de sobretaxas, argumentando que a competitividade do setor é resultado de décadas de investimentos em tecnologia, produtividade e inovação, e não de práticas comerciais desleais.
  5. De acordo com a entidade, a ampliação das exceções para 2.126 linhas tarifárias ocorreu após manifestações do setor produtivo brasileiro e levou em consideração a dependência da indústria norte-americana de determinados insumos fornecidos pelo Brasil, além dos possíveis impactos que a cobrança adicional poderia causar às cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos.
  6. Mesmo com parte dos produtos preservada da nova tributação, a CNA afirmou que recebeu a decisão do governo norte-americano com preocupação e continuará atuando para defender os interesses do agronegócio brasileiro. A entidade informou que seguirá dialogando com autoridades dos dois países e apoiando os setores mais afetados, com o objetivo de preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos e minimizar os impactos da nova política tarifária.
Últimas Notícias
Veja Também