O turismo deve ser o primeiro setor diretamente beneficiado pelo Corredor Bioceânico de Capricórnio (CBC), conhecido como Rota Bioceânica, projeto que vai conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de um corredor rodoviário de aproximadamente 3.250 quilômetros, passando por Mato Grosso do Sul.
A expectativa do governo estadual é de que o setor turístico apresente crescimento de pelo menos 30% já no primeiro ano de funcionamento efetivo da rota. No segundo ano, a projeção é ainda mais otimista, podendo alcançar expansão de até 70%.
Segundo a encarregada de dados da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Danniele Paiva, o turismo tende a ser o primeiro segmento impactado positivamente pela integração entre os países envolvidos.
“A gente acredita que o turismo seja o primeiro a se beneficiar do corredor. Já no segundo ano de uso dessa rodovia, a ampliação pode chegar a 70%”, afirmou.
Danniele atua também como secretária executiva em iniciativas de governança ligadas ao acompanhamento e integração do CBC. Ela explica que a consolidação total da rota deve ocorrer de forma gradual, ao longo de aproximadamente dez anos, com evolução progressiva das relações comerciais e econômicas entre os países participantes.
Novo estudo vai medir potencial econômico da rota
O turismo está entre os quatro setores estratégicos que Mato Grosso do Sul solicitou incluir em um novo estudo internacional que irá diagnosticar a capacidade comercial dos integrantes do Fórum dos Territórios Subnacionais, formado por oito governos estaduais do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Além do turismo, o levantamento analisará os setores de celulose, soja e proteínas animais — carne bovina, frango e peixe.
O relatório, previsto para ser concluído até dezembro, deverá apresentar desafios e soluções para fortalecer as relações comerciais entre os países sul-americanos através da Rota Bioceânica.
Atualmente, cerca de 70% das exportações de Mato Grosso do Sul têm como destino a China, enquanto a América Latina representa apenas 15% da participação comercial do Estado. A proposta da rota é justamente ampliar e diversificar mercados.
Infraestrutura e integração ainda são desafios
O novo levantamento será o terceiro estudo desenvolvido pelo Fórum com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento dentro do Plano Mestre Regional de Integração.
Os estudos anteriores ouviram cerca de 400 empresas e 150 órgãos governamentais dos quatro países envolvidos para identificar soluções voltadas à infraestrutura, logística, alfândega e integração digital.
Paralelamente, o governo de Mato Grosso do Sul mantém o CEG-Rota (Comitê Estadual da Rota Bioceânica), composto por oito comissões técnicas responsáveis por discutir impactos locais e alinhar ações com representantes do comércio, indústria, agronegócio e turismo.
Segundo Danniele, o principal objetivo é garantir que a integração entre os países reduza burocracias e acelere o fluxo comercial.
“A gente fala em diminuir em até 17 dias o trâmite das aduanas para acessar o mercado asiático, mas isso só acontece se as legislações dos quatro países facilitarem esse processo”, destacou.
Ela reforça ainda que o sucesso do corredor depende da harmonização de regras ligadas ao transporte de cargas, legislação trabalhista, segurança e atendimento aos turistas.
Ponte entre Brasil e Paraguai entra em fase final
Um dos marcos mais aguardados da Rota Bioceânica é o chamado “beijo da ponte”, momento em que as estruturas da ponte internacional sobre o Rio Paraguai serão finalmente conectadas entre Porto Murtinho, no Brasil, e Carmelo Peralta, no Paraguai.
A união das estruturas está prevista para acontecer ainda neste mês de maio. Após essa etapa, serão realizados testes técnicos até agosto.
A obra é executada pelo governo paraguaio com recursos da Itaipu Binacional.
Já no lado brasileiro, as obras de acesso pela BR-267 seguem sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, com previsão de conclusão até o fim deste ano.
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