- Preso pela PRF em Corumbá, Marcos Antonio Olmedo Vera relatou ameaças durante audiência de custódia e deverá permanecer em unidade prisional fora de Dourados e Ponta Porã.
Marcos Antonio Olmedo Vera, de 23 anos, um dos cinco réus pelo assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, afirmou estar jurado de morte caso seja transferido para presídios de Dourados ou Ponta Porã. A declaração foi feita durante audiência de custódia realizada na segunda-feira (28), após sua prisão pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no domingo (27), em Corumbá. Diante do relato, a Justiça determinou que a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) seja comunicada sobre as ameaças e encaminhe o acusado ao Estabelecimento Penal Masculino de Corumbá. - A decisão foi tomada pela juíza plantonista Melyna Machado Mescouto Fialho, após manifestação da Defensoria Pública. Conforme a ata da audiência, Marcos relatou que correria risco de morte se fosse levado a uma unidade prisional de qualquer um dos dois municípios. O documento, entretanto, não esclarece quem teria feito as ameaças, quando elas ocorreram ou o que teria motivado o suposto risco.
- Até a tarde de segunda-feira, o acusado permanecia recolhido na Delegacia de Polícia Civil de Corumbá, aguardando transferência. Durante a audiência, ele também declarou que não sofreu agressões físicas nem qualquer outra forma de violência durante a prisão ou enquanto esteve sob custódia do Estado. A magistrada determinou a realização do exame de corpo de delito, que ainda não havia sido anexado ao processo.
- Marcos foi preso por volta das 6h40 de domingo, durante uma fiscalização da PRF no quilômetro 707 da BR-262. Ele estava como passageiro de uma Chevrolet Montana quando os policiais deram ordem de parada ao veículo. Ao ser solicitado a apresentar documentos, informou que não possuía identificação física ou digital. Após consultar seus dados nos sistemas de segurança, os agentes descobriram um mandado de prisão expedido pela Justiça de Dourados.
- A prisão representa um novo desdobramento da investigação sobre a execução de Vitor Orsini, morto em 7 de agosto, enquanto trabalhava na revenda de veículos da família, na Avenida Hayel Bon Faker, em Dourados.
- Segundo a Polícia Civil, o jovem foi assassinado por engano durante uma ação que teria sido planejada para matar outro homem, identificado como Adriano, de 39 anos. O crime estaria relacionado a uma dívida de R$ 240 mil contraída pelo empresário Cláudio Henrique de Arruda, proprietário de uma academia em Ponta Porã. Com os juros, o valor teria chegado a aproximadamente R$ 300 mil.
- Conforme a investigação, Cláudio teria articulado a execução com Jeferson Lopes, de 31 anos, conhecido como Boy, e Marcos Antonio. Os dois últimos são apontados como responsáveis pela contratação dos executores, pelo fornecimento da arma e pela organização da logística do crime.
- Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, teria recebido R$ 20 mil para realizar os disparos, enquanto Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, receberia R$ 5 mil para conduzir a motocicleta utilizada na execução. Um adolescente de 17 anos também teria sido contratado por R$ 1.500 para furtar o veículo usado pelos criminosos.
- No dia do assassinato, Cláudio teria atraído Adriano até a garagem da família Orsini, sob o pretexto de negociar uma Toyota Hilux SW4. Como o verdadeiro alvo não chegou no horário previsto, os executores acabaram confundindo Vitor com ele.
- O jovem foi surpreendido pelas costas e atingido por três disparos de pistola. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu a caminho do hospital. Após o crime, os executores abandonaram a motocicleta no Jardim Canaã VI, trocaram de roupas e seguiram para Ponta Porã em um carro de aplicativo.
- Além de Marcos, respondem pelo assassinato Cláudio Henrique de Arruda, Denis Barbosa de Melo, Alexsander Gonçalves Borges e Jeferson Lopes. Este último permanece foragido.
- Há cerca de três semanas, os outros três acusados presos pelo crime foram transferidos da Penitenciária Estadual de Dourados para a unidade de segurança máxima Gameleira II, conhecida como Federalzinha, em Campo Grande.
- O processo segue em tramitação na Justiça. A prisão de Marcos foi considerada regular durante a audiência de custódia, e a determinação de mantê-lo fora das unidades de Dourados e Ponta Porã deverá ser observada pela administração penitenciária.