25 de agosto de 2026
Agosto registra seis feminicídios em Mato Grosso do Sul e acende alerta sobre violência praticada por companheiros
Publicado em 24 de agosto de 2026 - 08h48
  1. Mato Grosso do Sul registrou seis feminicídios em apenas 23 dias de agosto de 2026, tornando o mês com o maior número de mulheres assassinadas por razões de gênero no Estado neste ano. Os crimes ocorreram em Dourados, Paranhos, Rio Verde de Mato Grosso, Campo Grande, Costa Rica e Aquidauana, e em grande parte dos casos os principais suspeitos são companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
  2. O número chama ainda mais atenção por ocorrer durante o Agosto Lilás, campanha criada para reforçar a conscientização e o enfrentamento à violência contra a mulher. Dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, já apontavam dezenas de feminicídios registrados no Estado ao longo de 2026.
  3. Os casos registrados em agosto mostram um padrão que preocupa autoridades: mulheres assassinadas dentro de relações onde deveriam encontrar proteção e segurança. Em diferentes ocorrências, a violência partiu justamente de pessoas que faziam parte da rotina das vítimas, como maridos, companheiros ou antigos parceiros.
  4. A sequência começou no dia 2 de agosto, em Dourados, com a morte de Rose Batista Cabreira, de 41 anos. Segundo as informações divulgadas durante a investigação, ela teria sido atraída para uma emboscada e assassinada pelo companheiro.
  5. Três dias depois, em Paranhos, Adriana Barrios, de 22 anos, foi morta dentro da Aldeia Arroyo Corá. O companheiro dela, Denilson Ramires Medina, de 27 anos, foi preso em flagrante. A investigação apontou inicialmente uma possível motivação ligada a ciúmes.
  6. No dia seguinte, em Rio Verde de Mato Grosso, Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi assassinada a facadas pelo companheiro Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos. O crime ocorreu na presença dos dois filhos da vítima, de 5 e 9 anos, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
  7. Após quase duas semanas sem novos registros, o quarto feminicídio do mês aconteceu em Campo Grande, no dia 19. Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, foi atacada dentro da própria residência. O ex-companheiro dela, Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, foi apontado como suspeito. A vítima possuía medida protetiva contra ele.
  8. No dia 20, Fátima Alves de Matos, de 54 anos, foi encontrada morta dentro de casa, em Costa Rica. Conforme relatos divulgados, vizinhos ouviram uma discussão antes do crime. O companheiro da vítima foi preso como suspeito.
  9. O sexto caso ocorreu em Aquidauana, no domingo (23). Marta Florentino Godoi, de 40 anos, foi morta dentro de casa. O principal suspeito é o marido, Dion Lenon Fermino, de 34 anos, que fugiu levando a filha do casal, de 5 anos. Ele foi localizado pelas forças de segurança em uma área de mata e preso. A criança foi encontrada junto com o pai.

Violência começa antes do assassinato

  1. Especialistas e órgãos de proteção às mulheres alertam que o feminicídio geralmente representa o ponto mais extremo de uma sequência de agressões que pode começar com ameaças, controle, humilhações, violência psicológica e isolamento da vítima.
  2. Muitas mulheres convivem diariamente com sinais de risco antes que a violência chegue ao estágio mais grave. Por isso, a denúncia e o acesso à rede de proteção são considerados fundamentais para interromper o ciclo antes que uma nova tragédia aconteça.
  3. Em Mato Grosso do Sul, serviços como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o Ligue 180 e a Polícia Militar, pelo 190, fazem parte da rede de atendimento às vítimas.
  4. Os seis feminicídios registrados em agosto ainda seguem em investigação. As autoridades trabalham para esclarecer a dinâmica de cada crime e responsabilizar os envolvidos.
  5. O avanço dos casos durante um mês dedicado justamente à conscientização contra a violência de gênero reforça uma realidade difícil: muitas mulheres continuam perdendo a vida dentro de relações onde esperavam encontrar cuidado, respeito e proteção.
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