- Mato Grosso do Sul registrou seis feminicídios em apenas 23 dias de agosto de 2026, tornando o mês com o maior número de mulheres assassinadas por razões de gênero no Estado neste ano. Os crimes ocorreram em Dourados, Paranhos, Rio Verde de Mato Grosso, Campo Grande, Costa Rica e Aquidauana, e em grande parte dos casos os principais suspeitos são companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
- O número chama ainda mais atenção por ocorrer durante o Agosto Lilás, campanha criada para reforçar a conscientização e o enfrentamento à violência contra a mulher. Dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, já apontavam dezenas de feminicídios registrados no Estado ao longo de 2026.
- Os casos registrados em agosto mostram um padrão que preocupa autoridades: mulheres assassinadas dentro de relações onde deveriam encontrar proteção e segurança. Em diferentes ocorrências, a violência partiu justamente de pessoas que faziam parte da rotina das vítimas, como maridos, companheiros ou antigos parceiros.
- A sequência começou no dia 2 de agosto, em Dourados, com a morte de Rose Batista Cabreira, de 41 anos. Segundo as informações divulgadas durante a investigação, ela teria sido atraída para uma emboscada e assassinada pelo companheiro.
- Três dias depois, em Paranhos, Adriana Barrios, de 22 anos, foi morta dentro da Aldeia Arroyo Corá. O companheiro dela, Denilson Ramires Medina, de 27 anos, foi preso em flagrante. A investigação apontou inicialmente uma possível motivação ligada a ciúmes.
- No dia seguinte, em Rio Verde de Mato Grosso, Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi assassinada a facadas pelo companheiro Jucimar Amaral Delmondes, de 55 anos. O crime ocorreu na presença dos dois filhos da vítima, de 5 e 9 anos, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
- Após quase duas semanas sem novos registros, o quarto feminicídio do mês aconteceu em Campo Grande, no dia 19. Joseane Oliveira Nunes, de 33 anos, foi atacada dentro da própria residência. O ex-companheiro dela, Lourival da Cruz Neto, de 19 anos, foi apontado como suspeito. A vítima possuía medida protetiva contra ele.
- No dia 20, Fátima Alves de Matos, de 54 anos, foi encontrada morta dentro de casa, em Costa Rica. Conforme relatos divulgados, vizinhos ouviram uma discussão antes do crime. O companheiro da vítima foi preso como suspeito.
- O sexto caso ocorreu em Aquidauana, no domingo (23). Marta Florentino Godoi, de 40 anos, foi morta dentro de casa. O principal suspeito é o marido, Dion Lenon Fermino, de 34 anos, que fugiu levando a filha do casal, de 5 anos. Ele foi localizado pelas forças de segurança em uma área de mata e preso. A criança foi encontrada junto com o pai.
Violência começa antes do assassinato
- Especialistas e órgãos de proteção às mulheres alertam que o feminicídio geralmente representa o ponto mais extremo de uma sequência de agressões que pode começar com ameaças, controle, humilhações, violência psicológica e isolamento da vítima.
- Muitas mulheres convivem diariamente com sinais de risco antes que a violência chegue ao estágio mais grave. Por isso, a denúncia e o acesso à rede de proteção são considerados fundamentais para interromper o ciclo antes que uma nova tragédia aconteça.
- Em Mato Grosso do Sul, serviços como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o Ligue 180 e a Polícia Militar, pelo 190, fazem parte da rede de atendimento às vítimas.
- Os seis feminicídios registrados em agosto ainda seguem em investigação. As autoridades trabalham para esclarecer a dinâmica de cada crime e responsabilizar os envolvidos.
- O avanço dos casos durante um mês dedicado justamente à conscientização contra a violência de gênero reforça uma realidade difícil: muitas mulheres continuam perdendo a vida dentro de relações onde esperavam encontrar cuidado, respeito e proteção.