- A recém-nascida Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias, desaparecida após um sequestro registrado em Campo Grande na quinta-feira (6), foi encontrada com vida na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A localização ocorreu após investigadores rastrearem sinais telefônicos dos suspeitos e compartilharem informações com autoridades paraguaias, que chegaram ao imóvel onde a criança era mantida.
- A operação foi realizada por volta de 1h15 em uma residência no bairro Virgen de Caacupé, na cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Autoridades paraguaias cumpriram um mandado de busca e encontraram a bebê no imóvel com dois brasileiros. Celulares, documentos e um veículo também foram apreendidos durante a ação.
- A mulher presa foi identificada como Suzilaine da Graça Costa. O homem, inicialmente apresentado às autoridades como Weliton Aparecido Lopes dos Santos, usava documentos falsos. Durante a checagem realizada após a prisão, investigadores constataram que ele seria Alex Melo de Abreu, procurado no Brasil por um mandado de prisão relacionado a uma condenação definitiva de 11 anos e seis meses por homicídio.
- Após os procedimentos no Paraguai, os dois brasileiros foram expulsos do país e entregues às autoridades brasileiras no posto de controle migratório da fronteira. O casal foi encaminhado à Polícia Federal em Ponta Porã e permanece à disposição da Justiça.
- Logo depois do resgate, Ayla foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde passou por avaliação médica. Os exames indicaram que a recém-nascida estava em boas condições de saúde. Posteriormente, ela foi repatriada e encaminhada para uma instituição de acolhimento em Ponta Porã, onde permanece sob proteção enquanto são realizados os procedimentos para definir o retorno ao convívio familiar.
- O desaparecimento mobilizou forças de segurança desde a manhã de sexta-feira (7), quando a ocorrência foi registrada. Segundo o relato prestado pela mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, ela recebeu uma proposta de R$ 100 para cuidar de outro bebê e foi até um endereço em Campo Grande acompanhada da irmã, de 12 anos, levando Ayla.
- A adolescente afirmou à polícia que, já no imóvel, ela e a irmã foram rendidas e mantidas contra a vontade. Conforme o depoimento, foi durante esse período que percebeu que os envolvidos pretendiam ficar com a recém-nascida. A Polícia Civil informou que diferentes versões foram apresentadas durante a investigação e ainda trabalha para reconstruir toda a dinâmica do caso.
- Com o desaparecimento considerado de alto risco, o Ministério da Justiça e Segurança Pública acionou o Alerta Amber Brasil para ampliar a divulgação da imagem e das informações sobre Ayla. O sistema é utilizado em ocorrências envolvendo crianças e adolescentes desaparecidos em circunstâncias consideradas graves.
- No sábado (8), antes da localização da bebê, outro homem foi preso em Campo Grande durante as diligências. Ele é apontado como proprietário de uma residência que teria sido cedida a um conhecido e utilizada durante a ação. Familiares do suspeito afirmaram que ele desconhecia a finalidade para a qual o imóvel seria usado. A participação dele continua sendo apurada pela Polícia Civil.
- A investigação agora busca esclarecer todos os envolvidos no sequestro, a forma como a recém-nascida foi levada de Campo Grande até a fronteira e a motivação do crime. Até o momento, as autoridades não divulgaram uma reconstrução definitiva de todas as etapas do caso.