21 de maio de 2026
'Caso ela diga não': Comissão da Câmara investiga 'trend' que incentiva violência contra mulheres
Publicado em 10 de março de 2026 - 16h54

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar uma trend de vídeos na rede social TikTok que incentiva violência contra mulheres. A corporação informou que recebeu denúncias sobre publicações com apologia a agressões após rejeição amorosa.

De acordo com a PF, foi solicitado à plataforma que preserve os dados dos perfis envolvidos e remova os conteúdos. Durante a análise inicial, os agentes também identificaram outros vídeos relacionados à mesma trend, que foram reportados e retirados da rede social.

Nos vídeos, homens simulam agressões como socos, chutes e até facadas contra mulheres caso tenham suas investidas amorosas rejeitadas.

Na segunda-feira (9), a Advocacia-Geral da União acionou a Polícia Federal para investigar o caso. Segundo o órgão, os conteúdos teriam sido publicados inicialmente por quatro perfis da plataforma.

Os responsáveis pelas publicações podem responder por crimes como incitação ao feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher.

Em nota, o TikTok afirmou que os vídeos violam as Diretrizes da Comunidade e foram removidos. A empresa informou ainda que equipes de moderação seguem monitorando a plataforma para identificar conteúdos semelhantes.

Especialistas apontam que esse tipo de conteúdo misógino — caracterizado pelo ódio contra mulheres — tem ganhado espaço em comunidades da chamada “machosfera”, associadas a grupos conhecidos como redpills e incels. Nessas comunidades virtuais, homens que afirmam ser prejudicados pela sociedade e pelas mulheres defendem discursos de discriminação e violência de gênero.

Debate sobre misoginia

A militante da Articulação de Mulheres Brasileiras e professora da Universidade Federal do Pará, Eunice Guedes, afirma que esse movimento tem se fortalecido nos últimos anos.

Segundo ela, esses grupos existiam anteriormente, mas passaram a ganhar mais visibilidade e acesso a recursos e espaços de divulgação.

A pesquisadora defende que o país avance na criminalização da misoginia e que o enfrentamento à violência contra mulheres também envolva ações de prevenção e mudança cultural.

Violência contra mulheres

O debate ocorre em um momento de preocupação com o aumento da violência de gênero no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que o Brasil registra atualmente, em média, quatro casos de feminicídio por dia.

Como denunciar

Casos de violência contra mulheres podem ser denunciados por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, serviço gratuito disponível 24 horas por dia.

Também é possível registrar denúncias em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam), delegacias comuns ou nas unidades da Casa da Mulher Brasileira.

Outros canais disponíveis são o Disque 100, para violações de direitos humanos, e o 190, para emergências policiais.

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