- As fortes chuvas registradas em Minas Gerais colocam em alerta o abastecimento de morangos comercializados em Mato Grosso do Sul, já que o Estado mineiro está entre os principais fornecedores da fruta para o mercado sul-mato-grossense. O excesso de umidade e as dificuldades provocadas pelo clima podem afetar a produção e a logística, com reflexos no volume disponível e nos preços praticados ao consumidor.
- Minas Gerais tem um peso importante na cadeia do morango. Dados divulgados pelo IBGE na Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025 apontam que o Estado responde por 46,4% do valor da produção brasileira de morango, sendo o principal produtor do país em valor. O levantamento também mostra que o morango passou a integrar a pesquisa nacional de produção agrícola e movimentou cerca de R$ 4,2 bilhões no Brasil em 2025.
- A relação com Mato Grosso do Sul é direta. Dados divulgados pela Ceasa-MS mostram que Minas Gerais, ao lado de São Paulo e dos estados da Região Sul, está entre as principais origens dos morangos comercializados nas centrais de abastecimento do Estado. Em 2025, quando a procura pela fruta disparou com a popularização do chamado “morango do amor”, a Ceasa-MS chegou a registrar aumento de aproximadamente 50% na demanda, enquanto os preços subiram cerca de 35% em algumas empresas.
- O cenário climático atual aumenta a preocupação dos produtores. Nos últimos dias, áreas de Minas Gerais foram atingidas por episódios de chuva forte, temporais e granizo. Embora os registros mais recentes de danos divulgados pela imprensa estejam concentrados principalmente em outras culturas, como o café, especialistas e produtores vêm acompanhando os efeitos do excesso de chuva sobre as atividades agrícolas no Estado.
- O impacto sobre o morango pode ocorrer tanto no campo quanto depois da colheita. A fruta é altamente perecível e depende de cuidados rigorosos de manejo, colheita, armazenamento e transporte. Períodos de umidade excessiva podem favorecer problemas fitossanitários e dificultar a entrada de máquinas e trabalhadores nas áreas de produção, enquanto as condições das estradas podem interferir no transporte até os centros consumidores.
- Em Mato Grosso do Sul, qualquer redução no fornecimento de uma das principais regiões produtoras pode ser sentida no comércio, especialmente porque o Estado depende de outras regiões brasileiras para boa parte do abastecimento de frutas. Na Ceasa-MS, a origem dos produtos varia conforme a época do ano e as condições de produção, e Minas Gerais aparece entre os fornecedores relevantes de morango.
- O momento também ocorre em meio a um período de maior instabilidade climática no Centro-Sul. Em Mato Grosso do Sul, o Cemtec informou nesta semana que uma frente fria avançava pelo Estado, com previsão de chuvas abrangentes e possibilidade de temporais, enquanto análises meteorológicas apontam ocorrência de instabilidades também em áreas do Sudeste.
- Por enquanto, não há indicação de desabastecimento de morangos em Mato Grosso do Sul, e o impacto efetivo sobre a oferta e os preços dependerá da duração das chuvas, das condições das lavouras mineiras e da capacidade de transporte da produção. O alerta, portanto, está relacionado ao risco de redução da oferta e de aumento dos custos caso as condições adversas persistam.