14 de maio de 2026
Desigualdade no acesso à internet dificulta combate à desinformação no Brasil, aponta estudo
Publicado em 14 de maio de 2026 - 10h32
  1. A falta de acesso à internet ou a conexão de baixa qualidade ainda é um dos principais obstáculos para que a população se mantenha informada no Brasil, segundo a pesquisa “Dos territórios indígenas às periferias: retratos da desinformação e do consumo de notícias no Brasil”, divulgada nesta quarta-feira (13).
  2. O levantamento, realizado pela Coalizão de Mídias Periféricas, Faveladas, Quilombolas e Indígenas, ouviu cerca de 1,5 mil pessoas em Santarém (PA), Recife (PE) e São Paulo (SP) e aponta que a exclusão digital impacta diretamente o acesso à informação e a capacidade de checagem de conteúdos.
  3. De acordo com o estudo, cerca de um em cada quatro entrevistados relatou dificuldades de conexão, enquanto 17% afirmaram não conseguir identificar com facilidade quando uma informação é falsa. Outros 16% associam a falta de tempo à dificuldade de consumir conteúdos confiáveis.
  4. A pesquisa destaca ainda que pessoas com rotina mais exaustiva, especialmente mulheres que acumulam múltiplas funções, têm menos tempo para analisar criticamente as informações recebidas.
  5. Entre os principais objetivos do público ao buscar notícias estão entender o que acontece no próprio bairro (17%), tomar decisões (14%) e compartilhar informações (12%). Os aplicativos de mensagens, especialmente WhatsApp e Instagram, são os meios mais utilizados.
  6. O estudo também identificou diferenças regionais. Em Recife e São Paulo há maior diversidade de plataformas de acesso à informação, incluindo sites de notícias. Já em Santarém, predominam o WhatsApp, a TV aberta e o rádio, reforçando a importância dos meios tradicionais em áreas com menor acesso digital.
  7. O celular é o principal dispositivo de acesso às notícias entre os entrevistados, seguido por televisão, computador e rádio. Já entre as fontes consideradas mais confiáveis estão meios tradicionais, sites jornalísticos, além de professores e lideranças comunitárias. Influenciadores digitais aparecem entre as fontes de menor confiança.
  8. Para os pesquisadores, combater a desinformação vai além da checagem de fatos e exige fortalecimento da comunicação local e comunitária. O estudo também recomenda a produção de conteúdos em formatos mais acessíveis, como vídeos curtos e áudios, especialmente para quem depende de pacotes limitados de internet.
  9. A pesquisa foi coordenada pela Coalizão de Mídias em parceria com o Observatório Ibira30 e a Fundação Tide Setubal, envolvendo comunicadores e pesquisadores locais na aplicação dos questionários.

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