- Uma indústria localizada no Distrito Industrial de Dourados foi citada na investigação da Operação Carbono Oculto, que apura um suposto esquema de adulteração de combustíveis envolvendo desvio de metanol. O administrador da empresa, César Cirne Leal, está entre os 16 denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), suspeitos de participação em uma organização criminosa que teria atuado entre 2017 e 2025.
- Segundo a denúncia apresentada pelo MPSP, a Oreonn Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Químicas Ltda., com unidade em Dourados, teria sido utilizada como destino formal de cargas de metanol que, conforme a investigação, não teriam chegado ao local indicado nos documentos fiscais.
- De acordo com o Ministério Público, mais de 10,8 milhões de litros do produto teriam sido registrados como destinados à unidade sul-mato-grossense entre janeiro e agosto de 2025. A acusação afirma que a empresa aparecia nas notas fiscais como compradora regular, enquanto parte das cargas teria sido direcionada para outros locais, principalmente no Estado de São Paulo.
- O metanol é um produto utilizado em diferentes processos industriais, mas, segundo a investigação, teria sido desviado para adulteração de gasolina comercializada em postos de combustíveis.
- Conforme a denúncia, César Cirne Leal teria uma função administrativa dentro do suposto esquema, permitindo que a estrutura documental da empresa fosse utilizada para dar aparência de regularidade às compras feitas por outros investigados. O MPSP afirma que ele não seria responsável pelo transporte ou pela distribuição do produto, mas teria atuado na formalização das operações.
- A Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz-MS) analisou documentos fiscais relacionados às compras realizadas pela unidade de Dourados. Segundo a investigação, foram avaliados 153 Documentos Auxiliares da Nota Fiscal Eletrônica (DANFEs), e apenas duas cargas apresentavam registros automáticos de passagem vinculados ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), enquanto as demais não possuíam esse registro de confirmação de deslocamento até Mato Grosso do Sul.
- Para os promotores responsáveis pelo caso, os dados indicam que a maior parte das cargas registradas como destinadas à indústria de Dourados pode não ter chegado ao município. A denúncia, porém, não detalha as placas dos veículos, as datas individuais de transporte ou os locais exatos onde cada carga teria sido entregue.
- O MPSP afirma que a empresa possuía atividade industrial regular, mas que parte da estrutura teria sido utilizada para operações relacionadas ao grupo investigado. Segundo a acusação, o esquema funcionava misturando atividades legítimas com movimentações consideradas ilícitas.
- A Operação Carbono Oculto investiga uma organização suspeita de atuar na cadeia de combustíveis, envolvendo empresas, movimentações financeiras e supostas fraudes relacionadas à compra e ao destino de produtos utilizados na adulteração de combustíveis.
- O processo segue em andamento, e os denunciados ainda poderão apresentar defesa perante a Justiça.