6 de março de 2026
Estado fecha 2025 com déficit de R$ 440 milhões
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 - 08h28

As contas de Mato Grosso do Sul encerraram 2025 com déficit de R$ 440 milhões no resultado primário – que é a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida. O valor corresponde a 2% da Receita Corrente Líquida (RCL) acumulada no período.

Os dados constam do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) em Foco: Estados + DF, referente ao último bimestre de 2025 (novembro e dezembro), divulgado pelo Tesouro Nacional. O documento consolida informações enviadas pelos próprios entes federativos ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro.

As receitas correntes líquidas do Estado somaram R$ 22,2 bilhões em 2025, ante R$ 20,38 bilhões em 2024.

Apesar do resultado negativo, o desempenho foi melhor do que o de 2024, quando o déficit fiscal alcançou R$ 670 milhões, o equivalente a 3% da RCL.

Na prática, o resultado primário é o indicador que mede a capacidade do governo de financiar despesas como saúde, educação e obras com a arrecadação própria, funcionando como um termômetro da saúde fiscal.

No Centro-Oeste, Goiás registrou o maior déficit em 2025, com R$ 4,45 bilhões, o equivalente a 10% da RCL – revertendo o superávit fiscal de 5% apurado em 2024. No cenário nacional, o maior resultado negativo proporcional foi o do Piauí, com 11% da RCL.

Governo contesta dado sobre gastos com Saúde 

O relatório aponta que Mato Grosso do Sul teve o menor gasto proporcional com a função Saúde em 2025: R$ 2,95 bilhões, equivalentes a 11% da despesa total. No Centro-Oeste, o Distrito Federal liderou nesse quesito, com 17%, seguido por Mato Grosso (13%) e Goiás (12%).

O governo do Estado contesta os dados do Tesouro Nacional e afirma que os 11% aplicados na Saúde “referem-se à participação no total das despesas do Estado, e não ao piso constitucional”. A assessoria de imprensa do governo explica que, pelo critério da Receita Corrente Líquida, Mato Grosso do Sul aplicou 12,27%, ligeiramente acima do mínimo constitucional de 12%. “Isso representa R$ 2,39 bilhões, sendo 79% com recursos próprios, além de repasses federais, emendas e convênios.”

No país, os maiores percentuais na área da Saúde foram registrados em Tocantins (23%), Amapá (22%) e Pernambuco (22%) proporcionalmente à despesa total, conforme o Tesouro Nacional.

Na Educação, o Estado destinou R$ 4,67 bilhões, o que corresponde a 17% das despesas totais. Os maiores percentuais nessa área foram observados no Acre, Amapá e Paraná (23%). Já Espírito Santo e Piauí registraram os menores índices, ambos com 13%.

Mato Grosso do Sul, segundo a assessoria do governo, aplicou ano passado 12,27% da receita líquida em saúde, 0,27 ponto percentual acima do mínimo constitucional de 12%. Estado aplicou aproximadamente R$ 52,6 milhões acima do piso obrigatório.

As despesas com o Poder Judiciário somaram R$ 1,82 bilhão (7% do total). A segurança pública consumiu R$ 2,46 bilhões (9%), enquanto a área de transportes recebeu R$ 1,84 bilhão (7%).

Na Previdência Social, os gastos chegaram a R$ 4,33 bilhões, equivalentes a 16% das despesas. O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) apresentou déficit de 4% da RCL, ou R$ 958,14 milhões. O Fundo em Capitalização (Plano Previdenciário) é destinado à formação de reservas para o pagamento dos benefícios futuros do regime.

Despesas de pessoal e receitas

Segundo o Tesouro Nacional, as despesas com pessoal representaram a maior fatia das despesas correntes em todos os estados. Os maiores percentuais foram registrados no Rio Grande do Norte (75%), Rio Grande do Sul (64%) e Minas Gerais (63%). Em Mato Grosso do Sul, o índice foi de 57%. Os menores percentuais ficaram com Piauí (39%) e Espírito Santo (41%).

As despesas correntes empenhadas em Mato Grosso do Sul totalizaram R$ 23,47 bilhões, alta de 9% em relação aos R$ 21,6 bilhões do ano anterior. Já as receitas correntes cresceram 10%, passando de R$ 23,56 bilhões para R$ 25,99 bilhões no período.

Os dados do relatório resumido foram extraídos do sistema Siconfi/Tesouro Nacional no dia 3 de fevereiro de 2026, entre 14h e 14h30. O prazo previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal para envio do relatório do 6º bimestre era 30 de janeiro de 2026, 30 dias após o encerramento do período de referência. 
Campo Grande News

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