18 de julho de 2026
Família de Alcides Bernal diz que morte poderia ter sido evitada e acusa Estado de falhar na proteção do ex-prefeito
Publicado em 17 de julho de 2026 - 07h29
  1. A família e a defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal divulgaram uma nota pública afirmando que a morte do político, ocorrida na madrugada do último dia 13 de julho, poderia ter sido evitada. Segundo os advogados, o estado de saúde de Bernal era grave e havia sido comunicado diversas vezes ao Poder Judiciário por meio de pedidos de revogação da prisão preventiva ou de substituição por prisão domiciliar, todos negados. O ex-prefeito morreu após passar mal novamente no presídio, poucos dias depois de ser submetido a procedimentos cardíacos na Santa Casa de Campo Grande.
  2. De acordo com a nota, entre abril e julho deste ano foram protocolados seis pedidos para que Bernal deixasse a prisão em razão do quadro clínico. O último requerimento foi apresentado em 8 de julho, após ele sofrer um infarto dentro da unidade prisional e passar por procedimentos cirúrgicos. Mesmo após receber alta hospitalar, a defesa afirma que o ex-prefeito foi reconduzido ao presídio em um camburão, sem as condições adequadas para um paciente recém-operado do coração.
  3. Os advogados também sustentam que a própria administração do presídio informou à Justiça que a unidade não possuía estrutura para atender um paciente em recuperação cardíaca. Conforme a manifestação, o estabelecimento não dispunha de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), unidade coronariana, médico cardiologista ou equipe de enfermagem de plantão capaz de prestar assistência especializada caso houvesse agravamento do quadro clínico.
  4. Na nota assinada pela filha Sarah Anahí Bernal, pela esposa Mirian Elzy Gonçalves e pelos advogados Walquíria M. Moraes, Wilton Acosta, Ricardo W. Machado Filho e William W. Maksoud Machado, a defesa afirma que "a morte não foi imprevisível" e que os alertas médicos apresentados ao Judiciário foram ignorados. O documento ainda acusa o Estado de descumprir o dever constitucional de proteger a vida de uma pessoa que estava sob sua custódia, argumentando que critérios técnicos teriam sido superados pela pressão da opinião pública.
  5. A defesa também enfatiza que Alcides Bernal estava preso preventivamente e ainda não havia sido condenado pela Justiça. Segundo os advogados, ele morreu antes mesmo de ser julgado, razão pela qual afirmam que a responsabilização criminal de um investigado não pode implicar a supressão de direitos fundamentais, especialmente o direito à saúde e à vida.
  6. Alcides Bernal, de 60 anos, morreu na madrugada de 13 de julho após ser transferido do presídio para a Santa Casa de Campo Grande. Ele estava preso desde março, acusado de matar o auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa envolvendo a posse de um imóvel. Na ocasião, a Justiça negou pedidos de prisão domiciliar por entender que não havia comprovação de impossibilidade de tratamento no sistema prisional.
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