- A família e a defesa do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal divulgaram uma nota pública afirmando que a morte do político, ocorrida na madrugada do último dia 13 de julho, poderia ter sido evitada. Segundo os advogados, o estado de saúde de Bernal era grave e havia sido comunicado diversas vezes ao Poder Judiciário por meio de pedidos de revogação da prisão preventiva ou de substituição por prisão domiciliar, todos negados. O ex-prefeito morreu após passar mal novamente no presídio, poucos dias depois de ser submetido a procedimentos cardíacos na Santa Casa de Campo Grande.
- De acordo com a nota, entre abril e julho deste ano foram protocolados seis pedidos para que Bernal deixasse a prisão em razão do quadro clínico. O último requerimento foi apresentado em 8 de julho, após ele sofrer um infarto dentro da unidade prisional e passar por procedimentos cirúrgicos. Mesmo após receber alta hospitalar, a defesa afirma que o ex-prefeito foi reconduzido ao presídio em um camburão, sem as condições adequadas para um paciente recém-operado do coração.
- Os advogados também sustentam que a própria administração do presídio informou à Justiça que a unidade não possuía estrutura para atender um paciente em recuperação cardíaca. Conforme a manifestação, o estabelecimento não dispunha de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), unidade coronariana, médico cardiologista ou equipe de enfermagem de plantão capaz de prestar assistência especializada caso houvesse agravamento do quadro clínico.
- Na nota assinada pela filha Sarah Anahí Bernal, pela esposa Mirian Elzy Gonçalves e pelos advogados Walquíria M. Moraes, Wilton Acosta, Ricardo W. Machado Filho e William W. Maksoud Machado, a defesa afirma que "a morte não foi imprevisível" e que os alertas médicos apresentados ao Judiciário foram ignorados. O documento ainda acusa o Estado de descumprir o dever constitucional de proteger a vida de uma pessoa que estava sob sua custódia, argumentando que critérios técnicos teriam sido superados pela pressão da opinião pública.
- A defesa também enfatiza que Alcides Bernal estava preso preventivamente e ainda não havia sido condenado pela Justiça. Segundo os advogados, ele morreu antes mesmo de ser julgado, razão pela qual afirmam que a responsabilização criminal de um investigado não pode implicar a supressão de direitos fundamentais, especialmente o direito à saúde e à vida.
- Alcides Bernal, de 60 anos, morreu na madrugada de 13 de julho após ser transferido do presídio para a Santa Casa de Campo Grande. Ele estava preso desde março, acusado de matar o auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa envolvendo a posse de um imóvel. Na ocasião, a Justiça negou pedidos de prisão domiciliar por entender que não havia comprovação de impossibilidade de tratamento no sistema prisional.