- A disputa entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) pelo controle de territórios e rotas do tráfico de drogas tem elevado a preocupação das forças de segurança em Mato Grosso do Sul e também nos países que fazem fronteira com o Estado. A escalada da violência, com registros de execuções, ameaças e ataques, levou autoridades brasileiras e bolivianas a ampliarem ações de combate às organizações criminosas.
- A tensão ocorre principalmente pela posição estratégica de Mato Grosso do Sul, que possui extensa fronteira seca com Paraguai e Bolívia, sendo considerado um corredor importante para a entrada e distribuição de drogas no Brasil.
- No mês passado, a Bolívia lançou o plano Fronteiras Seguras, uma iniciativa voltada ao combate à expansão de organizações criminosas estrangeiras. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o ministro de Governo boliviano, Marco Antônio Oviedo, relacionou o aumento da criminalidade no país à disputa entre PCC e CV e informou que o plano prevê reforço da atuação policial nas áreas de fronteira.
- Segundo o promotor de Justiça Felipe Marques, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a atual fase do conflito começou no ano passado, mas ganhou maior intensidade em 2026. De acordo com a declaração publicada pelo Estadão, mais de 100 pessoas teriam sido mortas desde janeiro em episódios relacionados à disputa entre as facções.
- Historicamente, o PCC mantém forte influência em Mato Grosso do Sul, enquanto o Comando Vermelho possui uma presença consolidada em Mato Grosso. A avaliação das autoridades é que integrantes da facção carioca passaram a tentar ampliar sua atuação para o território sul-mato-grossense, principalmente em municípios da região norte do Estado.
Execuções e suposta lista de alvos
- Entre os episódios investigados está a chamada “Lista da Morte”, apontada pelas autoridades como uma relação de pessoas que estariam marcadas para serem executadas pelo Comando Vermelho. Conforme informações divulgadas pelo Estadão, uma operação do Ministério Público resultou na prisão de um suspeito em Juscimeira (MT), apontado como responsável por divulgar uma lista com 24 nomes.
- Entre os casos associados à disputa está a morte de Gustavo Loschiavo Araújo, de 29 anos, executado a tiros em Cassilândia. Após o crime, uma publicação em redes sociais teria feito referência à vítima como “eliminada”.
- Outro episódio citado envolve Márcio Aparecido da Silva Filho, conhecido como “Márcio Pelé”, morto em uma emboscada em Cassilândia. Durante o ataque, a filha dele, de 3 anos e 8 meses, também foi atingida e morreu. A investigação analisou possível ligação do crime com o conflito entre grupos criminosos.
- Também foi preso em São Paulo Nadson Santos Sampaio, conhecido como “Soldado”, apontado pelas investigações como integrante do Comando Vermelho. Segundo as autoridades, ele teria atuado como executor em ações contra integrantes do PCC em Mato Grosso do Sul.
Fronteira amplia preocupação das autoridades
- A região de fronteira tornou-se um dos principais pontos de atenção das forças de segurança. Em Corumbá, um policial militar morreu após ser atingido por um disparo de fuzil durante uma abordagem. Os suspeitos envolvidos na ocorrência foram relacionados a uma tentativa anterior contra um integrante do CV na região de Ladário.
- Em Dourados, outro episódio investigado envolveu um ataque contra um jovem apontado como integrante do PCC. Segundo a apuração policial, suspeitos ligados ao CV teriam ido até a residência da vítima.
Disputa por rotas do tráfico
- Além do controle territorial, a disputa envolve o domínio das rotas utilizadas para transporte de drogas. O Paraguai é apontado como uma das principais áreas de passagem de cocaína produzida na Bolívia e no Peru antes da entrada no Brasil.
- As organizações criminosas disputam principalmente corredores logísticos, rodovias e pontos estratégicos para distribuição de entorpecentes. Segundo autoridades de segurança, o avanço do Comando Vermelho busca ampliar áreas antes dominadas pelo PCC.
- O governo boliviano afirma que intensificou operações contra grupos criminosos e informou que supostos integrantes de facções brasileiras foram presos e entregues ao Brasil. No total, 17 suspeitos ligados ao PCC e ao CV teriam sido repatriados neste ano.
- No Brasil, órgãos como o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e as forças estaduais mantêm ações de cooperação para combater o tráfico internacional e a atuação das facções nas regiões de fronteira.
- O cenário mostra que a disputa entre PCC e Comando Vermelho deixou de ser apenas uma guerra interna entre grupos criminosos e passou a representar um desafio de segurança regional, envolvendo diferentes estados brasileiros e países vizinhos.