19 de agosto de 2026
Menina autista agredida no Paraguai: família denuncia extorsão, maus-tratos e pede mudança na guarda
Publicado em 24 de julho de 2026 - 07h21
  1. A família de uma menina brasileira com transtorno do espectro autista (TEA), vítima de agressões no Paraguai, denunciou novos desdobramentos do caso nesta quinta-feira (23). Segundo a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Ponta Porã, Vanessa dos Santos, parentes paternos afirmam que a criança foi levada pela mãe para o país vizinho no início deste ano e nunca mais retornou. Eles também alegam que houve exigência de dinheiro para a devolução da menina, que atualmente permanece sob guarda provisória de um casal de pastores por decisão da Justiça paraguaia.
  2. Vanessa informou que a denúncia partiu da família do pai da criança, com quem a menina vivia em Ponta Porã ao lado da avó paterna, embora eles não tivessem a guarda formal.
  3. Segundo os familiares, a criança era beneficiária do Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) destinado a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
  4. De acordo com o relato apresentado à associação, em janeiro deste ano a mãe levou a filha para passar alguns dias com ela e o companheiro, um cidadão paraguaio de 23 anos, mas não devolveu a menina. A família paterna afirma que registrou denúncia junto à Polícia Nacional do Paraguai, porém nenhuma providência teria sido tomada na época.
  5. Ainda conforme Vanessa, em junho a avó paterna recebeu cerca de R$ 18 mil referentes a valores acumulados do BPC. Após tomar conhecimento do pagamento, a mãe da criança teria exigido parte do dinheiro como condição para devolver a filha.
  6. A avó chegou a transferir R$ 8 mil para a ex-nora. No entanto, segundo a denúncia, a menina permaneceu no Paraguai. A presidente da associação também afirmou que o padrasto teria ameaçado integrantes da família para que retirassem a denúncia registrada anteriormente.
  7. No último sábado, segundo a denúncia, a mãe saiu para trabalhar e o companheiro permaneceu sozinho com a menina. A criança foi brutalmente agredida e sofreu lesões no tórax, braços e glúteos.
  8. O caso veio à tona quando a mãe levou a filha ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero. Conforme o médico legista responsável pelo exame, as lesões são compatíveis com agressões praticadas com as mãos ou com um pedaço de madeira.
  9. Na terça-feira (21), o juiz paraguaio Edison Escobar concedeu a guarda provisória da menina a um casal de pastores indicado pela própria mãe. A decisão provocou forte repercussão na região de fronteira.
  10. Em entrevista à imprensa paraguaia, o magistrado afirmou que a medida foi baseada em avaliação psicológica e em manifestação da Defensoria Pública, que apontaram vínculo afetivo entre a criança e os novos responsáveis.
  11. O juiz também proibiu a mãe de se aproximar do local onde a menina está acolhida e autorizou visitas do pai durante a tramitação do processo. No entanto, determinou que ele realize exame toxicológico após acusações feitas pela mãe de que seria usuário de drogas.
  12. Além disso, Escobar informou ter solicitado ao Consulado do Brasil informações sobre a vida da criança em Ponta Porã, incluindo dados sobre sua frequência escolar e o acompanhamento médico que recebia.
  13. A repercussão do caso levou a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) a divulgar nota de repúdio.
  14. Por meio da Comissão de Defesa do Direito da Pessoa com Autismo, a entidade afirmou que casos de violência contra crianças com deficiência exigem resposta firme das instituições e defendeu a apuração rigorosa dos fatos, além da garantia da proteção física, emocional e psicológica da vítima.
  15. Também nesta quinta-feira, a avó paterna concedeu entrevista ao podcast dos jornalistas Tião Prado e Dora Nunes e contestou declarações do juiz paraguaio.
  16. Segundo ela, a menina já apresentava lesões em outras ocasiões após permanecer com a mãe e o padrasto.
  17. "A gente perguntava o que tinha acontecido e ela dizia que a menina tinha caído. Ela levou para passar o Ano Novo, para ficar oito dias, e nunca mais trouxe", afirmou.
  18. A avó negou ainda que a família tenha deixado de procurar a criança.
  19. "Fomos ao Conselho Tutelar no Brasil. Como ela estava no Paraguai, fomos até lá e fizemos tudo o que tinha que fazer. Corremos atrás, mas não aconteceu nada", declarou.
  20. Ela afirmou que as primeiras denúncias não chegaram ao Ministério Público do Paraguai e informou que voltou a Pedro Juan Caballero para conversar com uma promotora. A expectativa da família é que a Justiça reveja a decisão e conceda a guarda provisória da menina aos parentes paternos.
  21. A avó também rebateu a informação de que a criança não recebia atendimento médico nem frequentava a escola.
  22. "Eu acho que esse juiz não está sabendo de tudo. Eu cuido dela desde os três meses de idade. A mãe e meu filho foram casados por cinco anos e, depois da separação, a menina sempre ficou comigo porque a mãe trabalha no Paraguai", afirmou.
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