5 de outubro de 2026
Operação Lívia apreende seis adolescentes apontados como líderes de grupo investigado por violência virtual em MS
Publicado em 17 de setembro de 2026 - 16h14

A segunda fase da Operação Lívia resultou na apreensão de seis adolescentes apontados pela Polícia Civil como integrantes em posições de liderança dentro de grupos virtuais investigados por cooptar vítimas para práticas de violência online. As ações foram realizadas na terça-feira (15), em Mato Grosso do Sul e outros cinco estados, e os detalhes foram apresentados durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (17), em Campo Grande.

A investigação teve início após a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, ocorrida em maio deste ano. Segundo a Polícia Civil, a jovem teria sido incentivada por integrantes de uma comunidade virtual a cumprir desafios que envolveriam violência e culminaram na própria morte.

De acordo com a delegada Anne Karine Trevizan, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), os adolescentes apreendidos nesta etapa da operação ocupavam funções consideradas de liderança dentro de comunidades digitais conhecidas pelos próprios participantes como “panelas”.

As investigações apontaram que esses grupos possuíam uma estrutura organizada, com integrantes responsáveis por diferentes atividades, incluindo a busca e aproximação de novos participantes. Conforme a polícia, os suspeitos utilizavam plataformas digitais e redes sociais para estabelecer contato com adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Segundo a apuração, os envolvidos criavam perfis falsos e desenvolviam vínculos de confiança com as vítimas para obter informações pessoais e familiares. Esses dados, conforme a investigação, eram utilizados posteriormente em situações de ameaça, pressão psicológica e coação.

Entre as plataformas identificadas pelos investigadores estão Zangi, Telegram, Discord e Instagram. A Polícia Civil informou que a morte da adolescente de Naviraí teria sido transmitida por meio do Discord e do Instagram.

A análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos também indicou a possibilidade de outras vítimas relacionadas aos grupos investigados, principalmente em casos envolvendo automutilação e outras formas de violência. Todo o material recolhido continuará passando por perícia para identificar novos envolvidos, possíveis vítimas e eventuais crimes praticados em outros estados.

Com as duas fases da Operação Lívia, a Polícia Civil contabiliza 11 adolescentes apreendidos e um adulto preso. O homem responde, segundo a investigação, por homicídio qualificado, organização criminosa e maus-tratos contra animais.

Os adolescentes apreendidos respondem por atos infracionais e têm idades entre 13 e 17 anos. Eles permanecem sob custódia enquanto o Poder Judiciário avalia as medidas cabíveis. Quando determinada, a internação provisória pode durar até 45 dias, conforme previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A operação contou com apoio do Ciberlab, do Ministério da Justiça, e de unidades da Polícia Civil de outros estados, reforçando a atuação integrada no combate a crimes cometidos em ambientes digitais contra crianças e adolescentes.

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