- Policiais penais realizam nesta quarta-feira (23) uma nova operação de revista na Penitenciária Estadual de Dourados (PED), com apoio de equipes especializadas, inteligência e equipamentos tecnológicos para localizar materiais proibidos e identificar possíveis pontos de vulnerabilidade na unidade. A ação faz parte da Operação Mute, coordenada nacionalmente pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), e também ocorre no Estabelecimento Penal Masculino de Coxim.
- Os trabalhos começaram nas primeiras horas da manhã e concentram as equipes nas celas e galerias da PED. Participam da operação policiais penais da própria unidade, integrantes do Comando de Operações Penitenciárias (COPE) e da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (GISP), sob coordenação da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul. A ação também conta com a Força Penal Nacional (FPN).
- Entre os recursos empregados estão georradares e kits de varredura, utilizados para ampliar a capacidade de identificação de materiais e alterações que possam representar riscos à segurança. A utilização do georradar já integra ações de segurança realizadas na PED: em junho, durante uma operação conjunta na unidade, o equipamento foi empregado para auxiliar na localização de possíveis estruturas subterrâneas, como túneis, galerias e cavidades, sem necessidade de escavação.
- A Operação Mute tem como foco principal combater a comunicação ilícita dentro das unidades prisionais, especialmente por meio da retirada de aparelhos celulares. Segundo a Senappen, a iniciativa é baseada em revistas estratégicas orientadas por informações de inteligência e ocorre de forma integrada entre as unidades federativas.
- Em Mato Grosso do Sul, esta rotina de fiscalização ganhou reforço com outras ações tecnológicas. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 69 operações de revista e fiscalização em estabelecimentos prisionais já foram realizadas no Estado em 2026, além das inspeções rotineiras. A Polícia Penal também utilizou a chamada Operação Modo Avião, que neste ano passou por 16 unidades penais sul-mato-grossenses. Os equipamentos empregados conseguem detectar sinais de telefonia móvel em um raio de até 100 metros, ajudando a indicar áreas que podem receber uma fiscalização mais direcionada.
- A integração entre inteligência, tecnologia e atuação operacional vem sendo adotada de forma mais ampla no sistema prisional brasileiro. Em junho, a própria Agepen informou que a PED estava entre as unidades envolvidas em ações integradas do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, reunindo a Força Penal Nacional, equipes de inteligência e policiais penais estaduais, além das operações Mute e Modo Avião.
- A Senappen também informou que, entre 21 e 25 de setembro, promove uma agenda nacional com operações orientadas por inteligência, entrega de equipamentos e capacitações de policiais penais. A estratégia busca ampliar nos estados procedimentos e tecnologias utilizados pela Polícia Penal Federal para prevenir comunicações ilícitas e reforçar a segurança das unidades prisionais.
- Na avaliação do diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, o uso dos equipamentos não substitui o trabalho dos policiais penais, mas fornece informações para tornar as fiscalizações mais direcionadas. A estratégia combina monitoramento, análise de informações, planejamento operacional e presença das equipes nas unidades.
- A PED é considerada uma das principais unidades prisionais de Mato Grosso do Sul e já recebeu outras fases da Operação Mute ao longo dos últimos anos. Em 2026, a unidade também passou por ações integradas de segurança e recebeu investimentos em tecnologia voltados ao controle e à fiscalização do ambiente prisional.