Faltam apenas 5,60 metros para a Ponte da Bioceânica conectar definitivamente Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai. O encontro das duas extremidades da estrutura, conhecido na engenharia como "beijo das aduelas", está previsto para acontecer entre os dias 14 e 15 de julho, segundo o coordenador da obra, o engenheiro civil paraguaio René Gómez. O marco representa a união física entre os dois países sobre o Rio Paraguai e a etapa mais simbólica da construção do corredor internacional.
Marco histórico para a Rota Bioceânica
A Ponte da Bioceânica é considerada uma das principais obras de infraestrutura da América do Sul e integra a Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico, reduzindo distâncias e custos para as exportações, especialmente em direção ao mercado asiático.
O chamado "beijo das aduelas" marca o instante em que as duas frentes de construção se encontram no vão central da ponte. Embora essa etapa estivesse inicialmente prevista para maio, o cronograma precisou ser ajustado após reavaliações técnicas durante a execução da obra.
A construção é coordenada pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai, financiada pela Itaipu Binacional, por meio da margem paraguaia, e executada pelo Consórcio PyBra.
Segundo René Gómez, ainda não há confirmação se o governo paraguaio realizará uma cerimônia oficial para celebrar a união definitiva da estrutura.
Obra entra na fase de acabamento
Atualmente, aproximadamente 140 trabalhadores atuam no canteiro de obras. Após o fechamento da estrutura, os serviços avançarão para a etapa final, que inclui:
- pavimentação da pista;
- instalação de sistemas de proteção contra colisões e quedas;
- iluminação operacional e ornamental;
- sinalização viária.
A previsão é que essa fase seja concluída em cerca de três meses.
"Esse trabalho deve demorar pelo menos três meses, então acreditamos que devemos concluir a obra da ponte em meados de outubro", afirmou o coordenador René Gómez.
Paraguai avança nos acessos
Enquanto a ponte entra na reta final, o Paraguai também acelera a infraestrutura necessária para colocá-la em funcionamento.
O país executa a pavimentação de um acesso de 3,8 quilômetros, que ligará a ponte à rodovia PY-15, principal eixo da Rota Bioceânica em território paraguaio.
As obras começaram em outubro de 2025, receberam investimento de aproximadamente US$ 20 milhões, financiados pela Itaipu Binacional, e devem ser entregues em outubro deste ano.
Brasil ainda ficará atrás no cronograma
Do lado brasileiro, o cenário é diferente. As obras de acesso tiveram início apenas em setembro de 2024 e, conforme previsão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a conclusão deverá ocorrer somente no segundo semestre de 2027.
Com investimento estimado em R$ 500 milhões, o projeto prevê:
- implantação de 13,1 quilômetros de rodovia entre a BR-267 e a ponte;
- construção de um viaduto;
- seis pontes;
- implantação do Centro Unificado de Fronteira entre Brasil e Paraguai.
A diferença entre os cronogramas evidencia um descompasso superior a um ano entre a conclusão da ponte e a entrega da infraestrutura brasileira necessária para que a ligação internacional opere plenamente como corredor da Rota Bioceânica.