29 de setembro de 2026
Bolsa Família sobe para R$ 691 em outubro e governo ajusta Orçamento para bancar aumento
Publicado em 24 de setembro de 2026 - 15h55
  1. O governo federal confirmou nesta quinta-feira (24) que o reajuste do Bolsa Família já foi incorporado ao Orçamento de 2026. Com o aumento de 15,04%, o valor mínimo pago às famílias passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, enquanto o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. A medida terá impacto de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda neste ano, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento.
  2. Para acomodar a despesa, a equipe econômica reduziu em R$ 11,5 bilhões a previsão de gastos com benefícios previdenciários. Segundo o governo, a revisão foi possível devido a ganhos de eficiência na análise dos pedidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que diminuíram a estimativa de despesas para os próximos meses.
  3. O reajuste do Bolsa Família foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 17 de setembro e corresponde à inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. A atualização foi formalizada por decreto e será aplicada automaticamente aos benefícios, sem necessidade de solicitação por parte das famílias.
  4. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, seguindo o calendário habitual do programa, organizado conforme o último dígito do Número de Identificação Social (NIS). Os depósitos serão realizados até 30 de outubro. Em setembro, os beneficiários continuam recebendo os valores anteriores ao reajuste.
  5. Além do piso de R$ 691, os benefícios adicionais também serão corrigidos. O valor pago por integrante da família aumentará de R$ 142 para R$ 164. Já o adicional destinado a crianças de até seis anos passará de R$ 150 para R$ 173, enquanto os pagamentos complementares para gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes subirão de R$ 50 para R$ 58. O valor final recebido continuará dependendo da composição de cada família.
  6. A atualização do programa ocorre em meio a uma revisão mais ampla das contas públicas. No relatório de receitas e despesas divulgado nesta quinta-feira, o governo reduziu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões o volume total de recursos que deverão permanecer sob contenção até o fim do ano.
  7. Desse montante, R$ 13,6 bilhões correspondem ao contingenciamento necessário para o cumprimento da meta fiscal, enquanto R$ 2,4 bilhões representam bloqueios relacionados ao limite de despesas. A redução da previsão de gastos com pessoal, benefícios previdenciários e outras despesas obrigatórias ajudou a abrir espaço para o reajuste do Bolsa Família.
  8. Apesar da acomodação do aumento, a projeção de déficit primário do governo federal para 2026 passou de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões, antes das deduções legais e dos efeitos do contingenciamento. O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública.
  9. Para 2027, o desafio orçamentário será maior. A estimativa da equipe econômica é de que o reajuste acrescente aproximadamente R$ 22,7 bilhões às despesas anuais do programa. Como a proposta orçamentária do próximo ano foi enviada ao Congresso antes do anúncio do aumento, o governo precisará incorporar os novos valores durante a tramitação do projeto.
  10. O reajuste foi anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, e os pagamentos terão início seis dias antes da data prevista para um eventual segundo turno. O governo afirma que a medida corresponde à recomposição das perdas inflacionárias previstas na legislação do programa.
  11. Atualmente, o Bolsa Família atende cerca de 19,3 milhões de famílias em todo o país. Para receber o benefício, é necessário estar inscrito no Cadastro Único e ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa, além de cumprir as condições estabelecidas pelo programa nas áreas de saúde e educação.
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