- O governo federal abriu oficialmente nesta quinta-feira (13) o processo para avaliar uma possível resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A análise será feita com base na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar medidas comerciais contra ações consideradas prejudiciais à competitividade nacional.
- Segundo o Palácio do Planalto, o procedimento começou após a Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) compartilhar o pedido com os integrantes do Comitê-Executivo de Gestão do órgão. Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) comunicará o governo norte-americano e solicitará a abertura de consultas diplomáticas.
- O governo brasileiro afirmou que pretende priorizar o diálogo e a negociação antes de qualquer decisão sobre possíveis contramedidas. A abertura do processo, segundo o Planalto, não significa que o país já tenha decidido aplicar tarifas ou restrições contra produtos dos Estados Unidos.
- A Lei nº 15.122, aprovada em 2025, estabelece regras para que o Brasil possa suspender concessões comerciais ou adotar medidas de resposta quando outro país implementar ações unilaterais que prejudiquem a economia brasileira. Entre as possibilidades estão a criação de tarifas, retirada de benefícios comerciais e restrições à importação de bens e serviços.
- De acordo com o governo federal, as tarifas norte-americanas são consideradas “injustificadas e arbitrárias”. A União afirma que continuará defendendo sua posição em negociações internacionais e buscando alternativas para reduzir impactos sobre empresas e trabalhadores brasileiros.
Tarifas dos EUA atingem bilhões em exportações brasileiras
- As medidas adotadas pelos Estados Unidos começaram após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O governo norte-americano aplicou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo itens como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos.
- Além disso, uma tarifa adicional de 12,5% foi aplicada sobre outros produtos brasileiros, sob a justificativa de que o país não teria mecanismos suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
- Segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as tarifas passaram a atingir aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
Brasil também recorreu à OMC
- Antes da abertura do processo de reciprocidade, o governo brasileiro já havia acionado o sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as tarifas impostas pelos Estados Unidos violam regras internacionais de comércio.
- Os Estados Unidos aceitaram participar de consultas dentro da OMC, primeira etapa de uma possível disputa comercial formal.
- O governo brasileiro afirma ainda que pretende ampliar a diversificação de parceiros comerciais e buscar novos mercados para produtos nacionais. Entre as medidas anunciadas está o Plano Brasil Soberano, criado para apoiar setores afetados pelas tarifas e preservar empregos e capacidade produtiva.